Primeiro, a OPEP+Rússia decidiram iniciar a 01 de Janeiro cortes de 1,8 milhões de barris por dia (mbpd) até Junho, nesse mesmo mês, os cortes foram prolongados até Março de 2018, o que deu outro impulso ao valor do barril nos mercados e, agora, a 30 de Novembro, a organização, a que se juntaram países como a Rússia, o México ou, entre mais uma dezena, o Cazaquistão, apontaram 31 de Dezembro do próximo ano para finalizar este programa de enxugamento dos marcados que tinha por objectivo estabilizar os preços em alta e os 60 e os 70 USD/barril.

Mas a OPEP e os seus associados neste esforço, sabiam que por detrás da cortina estavam à espreita, para ver o que acontecia, os produtores de petróleo na área do chamado "fracking" ou de xisto, que extraem petróleo e gás do interior desta rocha fazendo-a explodir a grandes profundidades através da injecção de água e químicos, alguns fortemente prejudiciais para o ambiente (infografia na foto), a altas pressões,

Isto, porque este é um negócio que só é rentável com o barril de petróleo acima dos 60 USD e onde deve estar com boas perspectivas de se manter, para não acontecer o que sucedeu em 2014, quando, devido à quebra dos preços, estes industriais foram todos à falência, deixando dívidas elevadas nos bancos.

Ora, com a subida recente do petróleo, desde os 30 USD ou menos no início de 2016 para os actuais 63, no Brent londrino, ou os cerca de 58 no texano WTI, os produtores do "fracking" abriram a pestana e começaram a pensar em reactivar as suas unidades - alguns já tinham arriscado -, mas, com mais esta demonstração de coragem da OPEP+Rússia, que sugere que o barril vai ficar, pelo menos, muito próximo dos 60 USD, confirmou-se, como avançam hoje algumas publicações especializadas nos EUA, que as perfurações estão de regresso e pode ser em força, sendo já cerca de 750, alguma delas activadas nos últimos dias, a extrair crude e gás do xisto.

Isto é importante, porque a produção tradicional pode estar controlada através dos cortes da OPEP+Rússia & Co., mas esse controlo não é suficiente para manter o enxugamento das reservas das principais economias mundiais com o regresso da produção "independente" do "fracking" nos EUA, sendo quase certo que isso se vai reflectir rapidamente nos preços, pressionando-os em baixa.

Foi isso mesmo que aconteceu já hoje, embora de forma muito ligeira, com o Brent londrino, que serve de referência às exportações de Angola, um dos países que pode sofrer mais com esta inversão na ascensão dos preços, a recuar 0,4 por cento, para 63,51 USD, e o texano WTI a descer para 58,15 USD, menos 0,3 por cento em relação à anterior sessão.

Nada disto estava fora das equações da OPEP, como várias vezes antes da reunião do dia 30, em Viena, na Áustria, o ministro da Energia saudita, que lidera rotativamente o "cartel", tinha avisado, sendo que, acrescentando que os valores dos cortes e os prazos em curso para os manter, podem ser os melhores para garantir que o barril não sobe tanto que leve à entrada em massa dos produtores alternativos do xisto norte-americano, nem tão baixos que sejam insuficientes para os países produtores não olharem para eles como bastante compensadores no efeito que têm sobre as suas economias.

Para já, parece ser isso que está a acontecer, com o barril de Brent claramente acima dos 60 USD, valor que, recorde-se, o ex-ministro angolano dos Petróleo, Botelho de Vasconcelos, a meio deste ano, afirmava que este era um valor bastante bom para Angola.

Para já, Angola parece estar satisfeita com estes valores do crude e com alguma confiança de que são para manter, como o demonstra o facto de o preço do barril apontado no OGE para 2018 ter mesmo passado de um valor médio de 45 dólares para os 50.