As expectativas eram escassas devido à forma resoluta como Trump disse, horas antes, que só havia uma forma de definir o sucesso desta cimeira: a completa e irreversível desnuclearização da Península Coreana, que é como quem diz, desmantelar as ogivas nucleares na posse da Coreia do Norte.

Este encontro, entre os dois homens que ainda há meses se tratavam um ao outro por "pequeno homem foguete a caminho da sua destruição" - Trump para Kim -, e "velho tonto" - Kim para Trump - tinha tanto para ser histórica como para ser um monumental fiasco, não tanto pelo trato pouco ortodoxo entre ambos mas sim pelo que foi imposto pelos EUA como condição absoluta.

Donald Trump chegou mesmo a dizer que estava pronto para abandonar o encontro e deixar Kim Jong-un pendurado se ao fim de cinco minutos percebesse que o seu objectivo estivesse fora de hipótese.

Nada disso aconteceu e, pelo menos para Trump, Kim foi amor à primeira vista, informando que não só tinha gostado do seu antigo inimigo, por ser um "homem muito talentoso", como o tinha convidado a visitar os EUA com pompa e circunstância.

Já Kim Jong-un deixou passar para as largas centenas de jornalistas que cobriram o acontecimento mundial em Singapura, que foi estabelecida uma relação "especial" entre os dois e que "o mundo vai ver alterações muito rápidas" na resolução de um problema sério, tendo o encontro sido "um belo prelúdio para a paz".

"Deixamos o passado para trás e o mundo verá uma grande mudança. Agradeço ao Presidente Trump por ter permitido este encontro", culminou Kim Jong-un.

Trump, mais efusivo que Jong-un, ainda adiantou que a "desnuclearização vai arrancar muito, muito em breve", mas foi tudo o que transpirou do encontro, para já. O documento foi assinado mas mantido em segredo.

Apesar dessa contenção no fluxo de informação para o exterior, ficou claro que uma nova fase no relacionamento entre os dois países começou, que, a partir de agora, o diálogo vai ser mais fácil e, provavelmente, como admitem alguns analistas, tudo deverá começar pelo fim da guerra de facto entre as duas Coreias, com a assinatura de um Tratado de Paz.

Isto porque, em 1953, no fim da guerra da Coreia, como ficou conhecida, as duas partes apenas assinaram um armistício, envolvendo ainda os EUA e a China, ficando em falta o Tratado de Paz, que agora poderá ser co9mncretizado, faltando apenas envolver a China no processo.

Como consequência deste resultado do encontro histórico em Singapura, que pode ser reclamado por ambos os lados como de sucesso, está a resposta dos mercados internacionais, palpável, sobre aquilo que as agências relatam que Kim disse em surdina a Trump que o mundo estaria a ver o que ali sucedia como se fosse um "filme de ficção científica".

O dólar norte-americano subiu para o valor mais alto face ao Euro em quase um mês e as bolsas deram a seguir sinais de terem gostado do resultado.

Nas próximas horas espera-se que sejam revelados pormenores do que ficou substanciado no documento assinado por Donald Trump e Kim Jong-un.