Aumentar a produção interna de bens e serviços, gerar empregos, atrair mais investimento estrangeiro para o país e organizar as primeiras eleições autárquicas foram alguns dos passos apontados por João Lourenço para levar Angola a "um futuro promissor".

Segundo o presidente do MPLA, para o sucesso do rumo traçado vão contribuir "os recursos financeiros e outros tipos de activos colocados ilicitamente fora do país, em paraísos fiscais e não só, e que devem ser repatriados de forma voluntária ou coercivamente, à luz das leis sobre repatriamento de capitas e de mais legislação em vigor".

Esse meios "serão investidos na nossa economia, contribuindo no esforço nacional de aumento da produção interna dos bens e serviços e na geração de empregos", precisou o Chefe de Estado, sem esquecer a importância do investimento estrangeiro para melhorar a conjuntura nacional.

"Durante esse primeiro ano de governação procurámos criar um melhor ambiente de negócios, através de medidas de moralização da nossa sociedade, através da aprovação de um conjunto de leis para pôr cobro à existência dos monopólios, acabar com a concorrência desleal e facilitar o processo de investimento privado, particularmente o estrangeiro, isentar ou agilizar ao máximo o processo de concessão de vistos, em particular para o investidores", sublinhou João Lourenço.

O líder dos "Camaradas" salientou igualmente o bom impacto da negociação do país com o Fundo Monetário Internacional para a credibilidade de Angola junto dos credores e organismos financeiros internacionais.

Confiante no "salto" do país a partir de 2019, no que diz respeito à subida da capacidade produtiva e de criação de empregos, João Lourenço defendeu que esse caminho tem de ser monitorizado.

"O que estou a pedir é que o partido fiscalize as acções do presidente do partido, do Presidente da República, do Executivo, para que eles, enquanto seres humanos, não caiam em certas tentações", apontou o Chefe de Estado, que, no seu discurso, apontou baterias contra os "poucos privilegiados que mergulharam no pote do mel com insaciável apetite", prejudicando o povo angolano.

Autárquicas não vão acentuar assimetrias, garante JLO

Para além de reforçar o repto "contra a corrupção, impunidade, nepotismo", em defesa da transparência, boa governação e direitos fundamentais dos cidadãos, João Lourenço lembrou a relevância do desafio autárquico para os destinos do país.

"Na nossa agenda temos em mãos a organização e realização das eleições autárquicas para os próximos anos. É um processo novo para todos nós, e, por isso mesmo, temos a obrigação de procurar conhecer todo o processo autárquico, estudando, trocando experiências com aqueles países onde esse tipo de poder está implementado há anos e funciona normalmente, e com vantagens para as populações que habitam nos respectivos municípios", disse o Presidente da República.

O titular do poder Executivo recordou que o pacote legislativo autárquico foi submetido a consulta popular e está agora na Assembleia Nacional para análise, debate, votação e aprovação.

Ainda a propósito das autárquicas, João Lourenço afastou a ideia de um eventual aumento das assimetrias regionais, decorrente de uma implementação faseada, sustentando que a votação vai decorrer em todas as províncias, ainda que, num período de no máximo 10 anos, não em todos os 164 municípios do país.

O Presidente da República precisou que o número de municípios abrangidos no arranque ainda será definido, "por entendimento das forças políticas no Parlamento".