Com o leilão calendarizado para quara-feira, 7, a expectativa é que a moeda nacional venha a depreciar entre 1,5 e 2 por cento, colocando-se a possibilidade de ultrapassar a barreira psicológica dos 30 por cento que algumas organizações internacionais, como o "think tank" da revista britânica The Economist, Economist Intelligence Unit (EIU), entre outras, tinham estimado como limite para as perdas do Kwanza em 2018.
Este será o quarto leilão efectivo a realizar pelo BNA depois de a 19 de Janeiro ter cancelado dois porque a desvalorização, ou depreciação, terminologia utilizada oficialmente para definir esta nova etapa da política cambial nacional, tinha ultrapassado largamente o esperado, acima de 10 por cento.
Foi depois dessa tentativa que o BNA e a equipa económica do Executivo estabeleceram novas regras para impedir desvalorizações muito elevadas - os dois primeiros leilões com a banda de flutuação cambial activada determinaram uma perda total de 26 por cento -, passando a vigorar uma faixa estreita, de dois por cento, para o máximo de perdas permitidas ao Kwanza face ao Euro, a moeda que serve agora de referência para estabelecer os câmbios com o restante cabaz de divisas.
Com três leilões efectivos realizados, a moeda nacional já acumulou uma perda face ao Euro de pouco mais de 29 por cento.
Face a isto, se se confirmar mais uma perda em torno dos 2 por cento no leilão desta semana, a moeda nacional terá perdido em menos de um mês - o primeiro leilão nesta modalidade realizou-se a 09 de Janeiro - aquilo que estava previsto, embora não admitido oficialmente pelo BNA, como limite durante todo o ano de 2018, ou seja, 30 por cento.
A grande questão do momento é, face a este cenário, até onde poderá cair o Kwanza e o que vai fazer o BNA se as perdas semanais se mantiveram numa média entre 1,5 e 2 por cento, o que, contas feitas, ditaria que a moeda nacional poderá chegar a meio do ano com perdas acumuladas para o Euro superiores a 50 por cento.
Recorde-se que o BNA cancelou, por duas vezes num dia, o leilão do dia 19 devido à excessiva desvalorização que dele resultaria, tendo em conta a regra anterior da definição do câmbio pela média ponderada das diversas licitações.
Esta alteração às regras do jogo foi imposta porque os bancos comerciais mostraram um apetite desmesurado pelas divisas e ofereceram, nos dois primeiros leilões, valores muito acima do considerado razoável pelo BNA, o que poderia, se os dois leilões de dia 19 de Janeiro não tivessem sido cancelados, atirar o Euro para muito perto dos 290 kwanzas e o dólar a aproximar-se dos 250 kwanzas.
José de Lima Massano, reuniu, logo a seguir a este episódio, com os responsáveis dos bancos comerciais para apresentar as novas regras que vão regular os leilões de divisas.
As novas regras impõem aos bancos comerciais, nas propostas que fazem ao banco central para cada um dos leilões, que "a margem máxima sobre a taxa de câmbio de referência publicada pelo BNA, ou seja, aquilo que os bancos comerciais podem colocar como apreciação ou depreciação da taxa de câmbio não seja superior nem inferior a 2 por cento", anunciou na ocasião José de Lima Massano.
Com as novas regras, 2 por cento é a variação máxima quer seja na venda do BNA aos bancos comerciais, quer seja estes a venderem aos seus clientes, sem distinguir a venda em divisas ou em notas de banco.
