O Comité do Nobel justificou a escolha destacando a "coragem e integridade" de Pillay na defesa do direito internacional e na responsabilização por crimes de guerra e genocídio, decisão que foi recebida com hostilidade pelos governos dos Estados Unidos e de Israel.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, foi o primeiro a vir a público criticar a escolha, classificando o Comité do Nobel como "corrupto" e "inimigo da civilização". e acusando Pillay de nutrir "um ódio declarado" pelos Estados Unidos e por Israel. Trump anunciou igualmente a expansão de sanções económicas e de vistos contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), depois de o TPI ter avançado com mandados de detenção contra Benjamin Netanyahu por crimes de guerra em Gaza

No mesmo tom do de Trump, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Comité do Nobel da Paz "perdeu a bússola moral" ao premiar a jurista sul-africana.

Navi Pillay, "uma das mais respeitadas juristas internacionais do nosso tempo", nas palavras do presidente do comité, ​Jørgen Watne Frydnes, encarregado de anunciar o Prémio Nobel da Paz, dedicou a vida à defesa dos direitos humanos. Pillay defendeu Nelson Mandela e outros activistas contra o apartheid, exigindo o seu direito a ter assistência legal nos seus processos na justiça. No seu percurso destaca-se igualmente o período em que foi presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, estabelecido para julgar crimes de guerra e crimes contra a humanidade naquele país.

Com a escolha de Navi Pillay, o comité quis "recordar que o Estado de direito, tanto a nível nacional como internacional, constitui a base do sistema que criámos para garantir a paz e resolver conflitos de forma não violenta".