Depois de uma semana de ganhos escaldantes, a primeira do mês de Setembro, com o Brent a subir mais de 9%, esta que agora começa tem tudo para repetir o ritmo de subidas, até porque o petróleo continua a ser derramado pelo fogo das armas no Golfo Pérsico.
E por detrás desta mexida nos gráficos dos mercados internacionais de energia está o receio, mais que justificado, de que a escalada das tensões entre Washington e Teerão possa levar este "jogo" perigoso para uma catástrofe económica global.
E isso, a acontecer, será em concordância com o acentuar das disrupções no fornecimento de crude extraído na região que precisa de passar pelo Estreito de Ormuz de forma a alimentar a economia planetária, e de Ormuz, parece que nem Irão nem EUA abrem mão.
Por aquela estreita passagem marítima passavam antes da guerra, começada pela coligação israelo-americana a 28 de Fevereiro, 20% do petróleo e do gás (LNG) globais, e hoje, segundo ao dados mais fiáveis do sites que recolhem esse tipo de informação, pouco mais de 20%, embora algumas perspectivas apontem para bastante menos...
A última escalada nesta subida vigorosa do valor do barril foi motivada pelo ataque da Marinha dos EUA a três petroleiros iranianos, levando Teerão a responder com ataques a outros tantos petroleiros ligados aos EUA e ainda contra navios de guerra norte-americanos.
A resposta iraniana apareceu ainda com o anúncio de uma nova área de restrição à navegação no Estreito de Ormuz e para fora deste canal, ao mesmo tempo que ameaça disparar de novo contra os navios de guerra que os EUA têm na região, especialmente no Golfo de Omã.
Perante este cenário em brasa, o barril de Brent, a referência principal para as exportações angolanas, estava a valer, perto das 12:45, hora de Luanda, 97,55 USD, mais cerca de 1,3% que no fecho da sessão da passada sexta-feira, 04, no fim de uma semana de ganhos extraordinários de perto de 9%.
Para piorar este contexto, a OPEP+, a organização que reúne perto de 40% da produção mundial, liderada por Rússia e Arábia Saudita, acaba de anunciar que Outubro marcará o fim dos aumentos da produção que têm vindo a ser realizados mensalmente desde o início do ano.
E tanto o presidente do Parlamento iraniano e chefe da delegação negocial de Teerão com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf , como o chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irão, Mohsen Rezaei, visto como a segunda figura do país no que toca à gestão da guerra, logo a seguir ao Supremo Líder, Mojtaba Khamenei, já vieram garantir que "o tempo das respostas simétricas acabou".
Com isto, o Irão está a informar os EUA que a partir de agora, cada ataque sofrido terá uma resposta assimétrica, que é o mesmo que dizer superior em potência e em geografias alargadas, colocando como alvos toda a infra-estrutura dos aliados dos EUA no Golfo Pérsico e áreas limítrofes.
O que pressupõe, como o Presidente Trump já avisou, que os EUA vão igualmente colocar o pé no acelerador e este conflito tem agora tudo para não apenas ganhar intensidade como se prolongar indefinidamente no tempo.
