Michael Randrianirina avançou para este passo dramático devido ao prolongado fecho do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, e por onde passa historicamente 100% do crude que Madagáscar adquire para tudo, desde combustíveis para as viaturas aos geradores que produzem energia eléctrica na ilha.
A escassez é de tal ordem que o Governo de Antananarivo já avançou para medidas extraordinárias e está a racionar o fornecimento de combustíveis de forma a evitar o total colapso social e económico do país, estando previsto para breve a suspensão do mecanismo de acerto de preços com base nos mercados internacionais.
Para já, o fornecimento mínimo, segundo os media da ilha, está a ser garantido, mas o Executivo liderado por Michael Randrianirina já avisou que poderão ser tomadas medidas mais drásticas se o conflito entre o Irão e a coligação israelo-americana não acabar rapidamente.
Recorde-se que a falha no abastecimento de combustíveis e os elevados preços froam uma das forças motrizes para os gigantescos protestos populares em 2025 que levaram ao golpe militar que permitiu ao actual Presidente, Michael Randrianirina, assumir o poder com a promessa de resolver os problemas sociais da ilha.
Mas este problema está longe de se confinar, no que ao continente africano diz respeito, a Madagáscar.
Alguns países conseguiram ultrapassar as dificuldades de aceder aos combustíveis mínimos necessários recorrendo a extraordinária capacidade da Refinaria Dengote, na Nigéria, a maior de África e uma das maiores do mundo, erguida em 2024, e que ainda não estava na sua capacidade máxima de 650 mil barris por dia.
Foi isso que permitiu a países como o Gana, Tanzânia, Costa do Marfim, entre outros, conseguir os mínimos, comprando gasolina, gasóleo e, especiamente, jet fuel, à Nigéria, que está neste momento na sua capacidade máxima e incapaz de fornecer mais combustíveis a outros países onde o problema cresce com gravidade como a República Democrática do Congo (RDC).
Ou no Quénia, onde os media alertam para uma redução de mais de 20% na oferta de combustíveis, gerando corridas diárias ás bombas de gasolina para criar reservas, aumentando assim o problema.
E com os preços a subir diariamente, como é também o caso da Tanzânia, onde se observam aumentos de 30% só neste período de duração da guerra israelo-americana contra o Irão, ou ainda na Etiópia, onde os negociantes de combustíveis estão obrigados agora a dar prioridade aos projectos económicos estratégicos e ás unidades do Estado.
Em Angola ainda não foi notada qualquer falha no abastecimento e a expectativa é que as refinarias em processo de construção no Lobito, Soyo e Cabinda, possam, no futuro, precaver quaisquer percalços, podendo mesmo este período permitir a detecção de mercados para o superavit que o país terá quando todos estes projectos estiveram activos.

