Bobi Wine, o candidato principal da oposição, que ao longo da longa campanha arrastou multidões como nunca se viu no Uganda, procura interromper o ciclo ininterrupto de quatro décadas de poder do incumbente, que assumiu as rédeas do Uganda no longínquo ano de 1986.
Ambos conhecem as regras com que se vão alinhavar os resultados, que se traduzem por uma quase certeza de que o octogenário Presidente ugandês deverá mesmo obter o seu 7º mandato, embora seja igualmente de todos sabido que tal só será possível com a manipulação dos resultados, aproveitando o domínio absoluto que o seu Governo tem no processo eleitoral.
Apesar disso, Bobi Wine, de 43 anos (na foto, com Museveni), um antigo músico e o líder claramente escolhido pela juventude, a larga maioria dos 51 milhões de habitantes e dos mais de 20 milhões de eleitores, que em 2021 conseguiu, oficialmente 35% dos votos, contra os 58% de Museveni, já prometeu que qualquer evidência de fraude será o tiro de partida para protestos populares como nunca aconteceu no Uganda.
As mesas de voto fecharam ao final do dia de quinta-feira, 15, e esta manhã de sexta, 16, já se contam os votos, embora as conversas de rua em Kampala, como notam os media que enviaram jornalistas para o país, sejam ainda os atrasos verificados na sua abertura, a eliminação do sinal de internet ao longo do dia ou as notícias de boletins de voto que nunca chegaram ao destino.
Como nunca aconteceu antes, esta contagem de votos está a ser acompanhada com máxima atenção pelos milhares de apoiantes de Bobi Wine (ver links em baixo) que não arredam pé dos locais de contagem, como no Estádio de Kampala, onde é possível ver ao vivo essa contagem, com, até agora, quase meio da manhã, a vantagem é indubitavelmente para o opositor, embora no país, segundo a Reuters, é Museveni que lidera.
Ainda segundo a Reuters, o partido que apoia Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, a Plataforma Unida Nacional, veio denunciar que o candidato se encontra em situação de detenção domiciliária sob forte vigilância policial.
O sistema de contagem de votos é célere neste país e, segundo a comissão que gere o processo eleitoral, os resultados parciais apontam, perto do meio da manhã desta sexta-feira, para uma vantagem de Yoweri Museveni, com mais de 75% dos votos quando estão contados os boletins de metade das mesas de voto, quedando-se o opositor pelos 19%.
O que é uma soma de votos que encaixa claramente nos resultados que o próprio Museveni disse, no momento em que foi votar, estar à espera: "Vou ganhar com 80% dos votos dos ugandeses", acrescentando, com ironia, que isso só seria possível "se não houvesse batota".
A Comissão Eleitoral deverá anunciar resultados ainda durante o fim-de-semana.




