Com mulheres a ocuparem os três principais lugares do Estado, designadamente Presidente, Vice-Presidente (Lucia Witbooi) e Presidente do Parlamento (Saara Kuugongelwa-Amadhila), caso único no mundo, e o governo com mais mulheres em África (60%), a Namíbia tem dado lições ao continente e ao mundo.
Para NNN, este avanço protagonizado pela SWAPO (partido libertador) representa um "marco do progresso democrático e da igualdade de género no continente africano".
As mulheres do governo ocupam pastas estruturantes como os Negócios Estrangeiros (Selma Ashipala-Musavyi), as Finanças (Ericah Shafudah) ou o Interior, (Lucia Iipumbu). As jovens também estão representadas no Executivo pelas ministras da Saúde, de 31 anos (Esperance Luvindao) e da Informação, Comunicação e Tecnologia, de 30 anos (Emma Theofelus).
O País mostra que "cada vez mais, se torna evidente que a contribuição das mulheres é essencial para o progresso da sociedade e que, se essa contribuição viesse a faltar, problemas mundiais de importância crucial não poderiam ser realmente resolvidos", citando Jeanne-Martin Cissé, da Guiné (Conacry), fundadora da Organização Panafricana das Mulheres (OPM), em 1962, e primeira mulher a assumir o cargo de presidente do Conselho de Segurança da ONU, em 1972.
Segundo NNN, a Namíbia deve fazer bom uso dos seus recursos humanos e naturais para melhorar o bem-estar do seu povo. Identifica a pobreza, o desemprego juvenil, a desigualdade, a corrupção, a ineficiência institucional, a fome e a falta de habitação, como desafios que exigem a mesma determinação demonstrada durante a luta de libertação nacional.
Afirmando-se como Presidente disruptiva, qualifica a corrupção como crime de traição e manifesta-se contra a impunidade, porque, afirma, o desvio de fundos públicos e de recursos destinados ao bem-estar social prejudica gravemente o desenvolvimento do país. "Eu disse que serei uma presidente disruptiva. Vou causar rupturas pelo bem do povo namibiano", avisa.
Assim que entrou em funções, em Março de 2025, Netumbo Nandi-Ndaitwah lançou um programa de reformas com o objectivo de combater as desigualdades estruturais.
O Programa, que se estende até Março de 2030, final do actual mandato, tem como prioridade dar resposta aos problemas mais prementes da Namíbia, nomeadamente os elevados níveis de desigualdade de rendimentos (coeficiente de Gini de 59,1), pobreza (23 % da população vive com menos de três dólares) e elevada taxa de desemprego (19 %), especialmente entre os jovens (37 %), de acordo com dados de 2025, citados pelo Raia Group.
Sem nunca se refugiar no legado herdado nem responsabilizar, muito menos perseguir política ou judicialmente os seus antecessores, todos membros da SWAPO, NNN defende que cabe à geração actual a responsabilidade de melhorar as condições materiais dos namibianos.
Relaciona a transformação económica ao aproveitamento dos recursos naturais, à agregação de valor, ao empoderamento dos jovens, ao desenvolvimento do capital humano, à pesquisa, tecnologia e inovação.
"Precisamos de garantir que os recursos e as oportunidades deste país se traduzam em dignidade e melhoria da qualidade de vida do nosso povo", reafirma.
Neste sentido, aposta na educação e na formação para todos, independentemente das condições sociais de cada um, como prioridade. Por isso, desde o início do corrente ano lectivo, tornou gratuito o acesso e a formação universitária e profissional para os namibianos, garantindo, dessa forma, que nenhum namibiano deixe de frequentar o ensino superior por razões financeiras.
Esta medida, enquadrada na estratégia nacional de inclusão e desenvolvimento e que, segundo o Ministério namibiano da Educação, custa cinco mil milhões de dólares, visa promover a igualdade de oportunidades, bem como combater a pobreza e o desemprego que atinge particularmente os jovens.
Na opinião de Nandi-Ndaitwah, "a educação é a base do progresso. Nenhum jovem namibiano deve ser privado do direito de estudar por falta de recursos".
Com base nessa reforma governativa e na transparência, a supervisão e as políticas do novel sector petrolífero passaram a ser geridas directamente a partir do gabinete presidencial. Cabe à NNN definir as regras finais sobre o conteúdo local e o aproveitamento económico dos hidrocarbonetos., incluindo impulsionar reformas, como o Projecto de Lei de Alteração do Petróleo (Exploração e Produção).
Medidas adoptadas para garantir maior eficiência e celeridade na tomada de decisões face ao recente boom de descobertas offshore na Bacia de Orange. A Presidente garante que "as novas indústrias emergentes de petróleo e gás precisam de ser geridas de forma a maximizar os benefícios para todos os namibianos".
A reforma abrange também a entrada de mulheres em lugares chaves desse sector. A Unidade de Petróleo Upstream (UPU), com foco na governação transparente e de capacitação generalizada, incluindo declarações rigorosas de bens para altos funcionários que gerem recursos offshore, é dirigida por uma mulher, Kornelia Shilunga.
A forte participação de mulheres no sector petrolífero resultou na criação da Rede de Mulheres no Petróleo, Gás e Energia, instituição que está a construir um pipeline estruturado, numa iniciativa dirigida por duas mulheres: Rachel Msiska e Nyeuvo Amukushu.
De acordo com a African Energy Chamber, tal rede está também envolvida na aplicação da Política Nacional de Conteúdo Local Upstream, aprovada no início de 2026 para integrar a participação namibiana nas aquisições, engenharia e serviços no desenvolvimento do offshore.
De 73 anos, a quinta presidente do País, desde a proclamação da independência em 1990, decidiu romper com as barreiras de outro sector ainda muito masculinizado no mundo: a guarda presidencial. Ultrapassando o machismo, o país fundado por Sam Nujoma mostra que força, autoridade e protecção não é domínio exclusivo dos homens.
De acordo com o Namibia Sun, a ascensão da Capitã Rachel Tuyolen, primeira mulher oficial da Marinha e agora guarda da Presidente é histórica e emblemática dessa transformação em curso na Namíbia.
Nos serviços de defesa e segurança da Namíbia, acrescente o jornal, as mulheres têm gradualmente passado da periferia para posições de comando - de pilotos e engenheiras a oficiais em unidades de inteligência e combate profissional.
Com as políticas de NNN, militante histórica da SWAPO, a Namíbia continua a afirmar-se como um farol da liberdade de imprensa, ocupando actualmente a 2.ª posição em África (atrás da África do Sul) e a 23.ª no mundo no mais recente Índice Mundial da Liberdade de Imprensa (2026).
Segundo o Banco da Namíbia, no 1º trimestre de 2026, o PIB namibiano teve um crescimento real de 2,0% em termos homólogos, em linha com a previsão para o ano em curso de 2,1% a 2,4%.
Sem hipotecar os princípios que sempre nortearam a política externa, para além de mostrar gratidão aos países que solidariamente contribuíram para a libertação da Namíbia, principalmente Angola, Botswana, Cuba, Rússia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe, o País mantém-se na linha da frente da integração regional e africana.
Por conseguinte, assinou com a Zâmbia um acordo, semelhante ao já tinha com o vizinho Botswana, permitindo aos cidadãos viajarem entre os dois países sem passaporte, apenas com documentos de identificação nacional, medida destinada a impulsionar a mobilidade regional e a integração económica.
Também assinou acordos com Angola, Moçambique, Tanzânia, África do Sul, Botswana, Zimbabwe e outros países da região e do continente para a melhoria das relações económicas, políticas e culturais, abrangendo sectores privados como pequenas e médias e empresas (PME) e públicos, que para além de abrirem novas perspectivas de desenvolvimento vincam a linha panafricanista da líder namibiana.
Defensora das reparações históricas pela escravatura, colonialismo e genocídios, NNN exige da Alemanha reparações pelo genocídio dos povos Herero e Nama no início do século XX, sublinhando que nenhum apoio financeiro alemão substitui as compensações históricas.
E tem apoiado e manifestado solidariedade com Cuba, vítima do embargo económico dos EUA de mais de 60 anos que equipara a um genocídio. No centenário de Fidel Castro, a líder namibiana lembrou que a história da libertação do seu país "está intrinsecamente ligada à solidariedade e ao compromisso internacionalista do povo cubano sob a liderança de Fidel".
