A antiga responsável pelo pelouro das Pescas está a ser acusada pelo Ministério Público (MP) de ter desviado para a empresa EDIPESCA mais de 300 milhões de kwanzas.

Segundo a acusação, Vitória de Barros Neto, na qualidade de ministra das Pescas, investida no cargo por duas ocasiões, em 2012 e 2017, destituída do cargo em 2019, terá desviado mais de 300 milhões acreditados à empresa pesqueira EDIPESCA/Luanda.

Conforme a acusação, a então ministra orientou por via de ordem de saque a movimentação deste montante para uso indevido, justificando ser para cobrir despesas não justificadas do Ministério das Pescas e da EDIPESCA.

A acusação diz ainda que em 2014 Vitória de Barros Neto e três outros gestores da EDIPESCA deram sumiço dos valores.

Nos autos, a acusação não faz qualquer menção nem relaciona a arguida ao processo de corrupção noticiado em Outubro de 2019 pelo Novo Jornal com base no jornal The Namibiam.

Na altura, o jornal namibiano noticiou que a Comissão Anti-corrupção da Namíbia (ACC, sigla em inglês) investigava um negócio que envolvia quotas de pesca no valor de 150 milhões de dólares namibianos (à data 9,9 milhões USD) atribuídas pelo Governo de Windhoek ao Governo angolano, que terão alegadamente sido tomadas de forma ilegal por políticos dos dois países.

O jornal revelava que em causa estavam dois ministros namibianos, ambos julgados e condenados no país vizinho, e um antigo ministro angolano (Victória de Barros Neto), gestores do Investec Asset Management, uma firma multinacional que gere investimentos e fundos, e uma empresa namibiana, a National Fishing Corporation of Namibia (Fishcor) e associados.