O julgamento teve início a 26 de Junho mas a audiência foi suspensa devido à danificação de um dos discos que integra os autos como elemento de prova, a pedido da defesa, e agora, como apurou o Novo Jornal, foi retomado.
Sanada esta questão, o julgamento foi retomado com o interrogatório dos arguidos.
Ambos são acusados pelo MP dos crimes de associação criminosa, ultraje ao Estado, aos seus símbolos e órgãos, e instigação ao crime público.
Segundo os autos, "Man Genas" ofendeu gravemente a honra e o bom nome do Presidente da República, João Lourenço, nas redes sociais, em 2023.
O MP sustenta igualmente que o arguido fez graves acusações contra altas patentes da Polícia Nacional (PN) e das Forças Armadas Angolanas (FAA), alegando que estas estariam ligadas a uma rede de tráfico de drogas.
A acusação refere ainda que "Man Genas" chamou o Presidente da República de "burro", "demónio", "feiticeiro" e "corrupto", afirmando que o Chefe do Executivo tinha conhecimento da existência de tráfico de drogas no País.
Segundo a acusação, o arguido apelou também a grupos criminosos para invadirem a residência do então ministro do Interior, Eugénio Laborinho, bem como as residências de deputados à Assembleia Nacional e de altas patentes das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional.
Perante o tribunal, o arguido admitiu parte da acusação, mas negou a maioria dos factos que lhe são imputados pelo Ministério Público.
"Man Genas" foi deportado de Moçambique para Angola e detido pelo SIC em Fevereiro de 2024, em Luanda.
Segundo as autoridades, durante a sua permanência em Moçambique, o arguido acusou, através das redes sociais, em 2023, altas patentes da Polícia Nacional, do SIC e das FAA de estarem ligadas ao narcotráfico.
Após a sua detenção, o SIC assegurou ao Novo Jornal que investigou as denúncias feitas pelo arguido nas redes sociais e concluiu que eram infundadas.
Segundo o SIC, nenhuma das denúncias divulgadas por "Man Genas" na internet foi comprovada.
O Novo Jornal apurou que, neste processo, o antigo ministro do Interior, Eugénio Laborinho, e o então director-adjunto do SIC, Fernando Recheado, estão arrolados como declarantes.
