O Estado da Nação é um imperativo constitucional (artigo 118.º da Constituição da República de Angola): uma vez por ano, na abertura do ano parlamentar, o Presidente da República dirige-se ao País a partir da tribuna da Assembleia Nacional, para prestar contas políticas, fazer o balanço das promessas sufragadas nas eleições e apresentar a sua visão para os meses seguintes. É também o palco dos grandes anúncios de política económica - anúncios com consequências directas nas finanças públicas.
A 15 de Outubro de 2026, o Presidente João Lourenço proferirá o seu 10.º e último Estado da Nação, a menos de um ano do fim do segundo mandato (Setembro de 2027) e no rescaldo das comemorações dos 50 anos da Independência. Os angolanos esperaram muito dele. Em 2017, prometeu "corrigir o que está mal e melhorar o que está bem", combater a corrupção, diversificar a economia, colocar o combate à pobreza no centro da governação e institucionalizar as autarquias. Nove anos depois, o sentimento dominante é de decepção: as promessas multiplicaram-se nos discursos, mas os incumprimentos multiplicaram-se na vida real.
O estudo analisa a visão política do Presidente da República e as decisões económicas com impacto nas finanças públicas, tal como foram apresentadas nos discursos do Estado da Nação. Procura responder a três perguntas:
(1) que País João Lourenço encontrou em Setembro de 2017 e que País deixará em Setembro de 2027?
(2) Que promessas fez, quantas cumpriu e onde os seus próprios números se contradizem?
(3) Qual foi o impacto das suas decisões - programas, despachos, nomeações, comissões, feriados - na qualidade da despesa pública e na vida dos angolanos.
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