Presidente da República deixa política em 2018 (actualizada)

Publicado 11/03/2016 9:14:00

O Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, anunciou hoje que vai abandonar a vida política em 2018, na abertura da 11.ª sessão ordinária do Comité Central do MPLA.

O líder do MPLA desafiou depois o partido e os respectivos órgãos competentes, em particular a comissão de candidatura, a ajudar a escolher os melhores quadros para servirem o país e a organização.

No discurso, José Eduardo dos Santos não se pronunciou sobre se vai ou não candidatar-se a mais um mandato à frente do partido, no congresso de Agosto próximo e, consequentemente, assumir a candidatura à Presidência da República como estabelecem os estatutos.

O anúncio do abandono da vida politica em 2018 aconteceu depois de Eduardo dos Santos fazer uma breve resenha da sua chegada às fileiras do MPLA, em 1960, quando se juntou ao partido em Luanda, e em 1961, quando recebeu o cartão de militante no Congo. Ao todo, em 2018, José Eduardo dos Santos completará 58 anos na política activa. Chegou à presidência do MPLA e do Estado em 1979, ainda no tempo do partido único.

Numa intervenção que não terá excedido os 15 minutos, mesmo assim, o líder do maioritário não deixou de apontar críticas ao trabalho desenvolvido pelo partido, Governo e altos funcionários do Estado.

Apesar de reconhecer resultados positivos na execução do Plano de Desenvolvimento Económico e Social em curso, designadamente na organização e gestão das finanças públicas e no controlo e gestão da dívida pública, Eduardo dos Santos considerou que o trabalho desenvolvido está “muito aquém” das metas definidas no documento.

Nomeadamente, continuou, em matéria do aumento da produção, melhoria da gestão das empresas públicas, no funcionamento do sector bancário, no apoio aos empresários angolanos e no enquadramento dos quadros recém-formados.

Referiu-se em concreto, e a título de exemplo, ao sistema bancário angolano.

Recordou a importância do papel regulador atribuído ao Banco Nacional de Angola (BNA) - “uma grande conquista da reforma económica do país” -, mas apontou que a acção do banco central, em matéria de supervisão e regulação da banca comercial, “deixa muito a desejar”.

Lamentou, por isso, que “ninguém saia responsabilizado” pelos danos causados aos interesses de clientes e depositantes no âmbito da actividade da banca comercial. Estas palavras mereceram o aplauso dos membros do Comité Central presentes na sala.

Pediu ao partido para reforçar o diálogo junto do povo, “com palavras simples” para esclarecer as causas que levam o país a atravessar esta crise (quebra das receitas decorrentes da baixa do preço do barril do petróleo), assim como a apontar os caminhos para “resolver este problema”.

Desafiou os dirigentes do MPLA a trabalharem para se superar o incumprimento das metas definidas, acentuando a necessidade de apoiar e mobilizar os empresários angolanos para agirem com urgência na diversificação da economia, aumentando a produção para melhorar as exportações e consequente arrecadação de divisas, assim como para satisfazer as necessidades nacionais.

Considerou prioritário melhorar o desempenho dos quadros nas tarefas de gestão, no combate firme à ineficácia, em acabar com a indisciplina na execução dos orçamentos, no reforço da fiscalização do executivo e na urgência em tomar medidas para colocar no aparelho de Estado pessoas com o perfil mais adequado, de forma a contribuírem para o desenvolvimento do país.

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