O edifício da RNA, cujo projecto inicial era bem mais ambicioso, foi construído no período de 1963-67, destacando-se por uma estrutura arquitectónica bastante interessante, com "aquários" bem vidrados, espaços verdes e com circulação de ar. A actual sede da emissora pública de Angola foi desenhada por Fernão Simões de Carvalho em conjunto com José Pinto da Cunha e Fernando Alfredo Ferreira, no âmbito do concurso "Plano Radiodifusão de Angola", promovido em 1961 pelo Centro de Informação e Turismo de Angola (CITA). O projecto construído corresponde apenas à primeira fase, contemplando ainda o edifício de Oficinas localizado a Noroeste, com uma área de 11.500 metros quadrados, visto que as outras fases incluiriam edifícios para escritórios e apartamentos.
A antiga Unidade de Vizinhança Prenda era a sua coqueluche e, em entrevista ao extinto Semanário Angolense, chegou a falar em detalhes sobre o projecto.
"(...) Hoje tenho imensa pena de ver o Prenda que nunca foi terminado. O Prenda não era para ter os 2/3 de população economicamente débil mas sim 1/3, porque o Governo disse : "Se vamos fazer uma Unidade de Vizinhança com 2/3 da população indígena e 1/3 europeia, os europeus não vão querer ir para lá."."
A então Unidade de Vizinhança Prenda, que incluía os edifícios conhecidos como os Lotes do Prenda e as residências, foi construída no período de 1963-1965.
"O Governo do General Deslandes que já era evoluído e inteligente disse então: "Vamos começar com 1/3 da população indígena e 2/3 da população europeia. E assim foi"," disse na altura, Fernão Simões de Carvalho.
Em 2021, Fernão Simões de Carvalho doou o seu acervo à Fundação Marques da Silva, em Portugal. Os seus traços arquitectónicos ainda estão bem presentes na estrutura urbana de Luanda e marcaram uma importante era de inovação urbanística em Angola. Infelizmente, Fernão Simões de Carvalho é hoje uma figura pouco referenciada pela nova geração de arquitectos em Angola e desconhecida dos estudantes de Arquitectura, dos novos moradores dos bairros que ajudou a projectar e literalmente esquecido pela toponímia da cidade de Luanda.
