Reconfirmando a excelência da qualidade dos colaboradores, registei o nível dos invulgares equipamentos de que dispõem e a preocupação em prepararem na altura as várias reportagens para a receção ao Papa, em prol da dignificação e do espírito de servir da imprensa numa reunião geral.
Deixei uma sentida e muito justa nota de reconhecimento ao diretor Armindo Laureano do que observei.
A propósito da visita de Sua Santidade, o Papa a Angola saliento por um lado o significado da coincidência da regularidade das visitas do mais alto dignatário da Igreja Católica a Angola, de dezassete em dezassete anos e, por outro, a enorme importância para o mundo das alocuções que proferiu.
O peso das palavras do Papa é diretamente proporcional ao facto de serem proferidas pelo líder da religião monoteísta do mundo com mais fiéis.
Nada do que era essencial para ser dito ficou por ser dito.
Desde logo sobre os conflitos que mobilizam os media internacionais e preocupam os cidadãos, a começar pelo que se passa em todo o Médio Oriente e a acabar na Ucrânia.
Não por acaso ao escolher Angola para visitar teve presente logo no primeiro ano do seu pontificado ser Angola o país depositário da mais antiga igreja Católica de África e o continente a que pertence, o que maior número de fiéis tem.
Daí a invocação da necessidade da recriação da esperança no futuro, consciente da importância da juventude em Angola, encorajando-a a pensar a Fé perante os desafios atuais , marcados por guerras, injustiças, desigualdades, conflitos, degradação material e ambiental.
Acrescentou a necessidade da partilha transparente "por ser nela que reside o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes".
Importa para isso quebrar a lógica extrativista do desenvolvimento que exclui porque "a nova geração aguarda outra coisa através do diálogo".
O facto do Papa ter falado em português não é uma questão de somenos, tanto mais que a língua portuguesa é um importante instrumento económico.
A língua portuguesa é a quinta mais falada no mundo entre as 7.500 que existem, devendo-se isso hoje muito ao incremento dela por parte dos países de língua oficial portuguesa, das respetivas diásporas e naturalmente de Angola.
Muito singular com próxima e tocante afetividade foi o facto de no futuro santuário de Nossa Senhora da Muxima Sua Santidade se ter dirigido em língua Kimbundu à imensa multidão a perder de vista dizendo " Mamã Muxima ,tueza KúKue, Mamã Muxima, tutambululê", ou seja, pelo que me traduziram " Mamã Muxima, viemos aqui, Mamã Muxima, receba-nos".
Estão de parabéns a CEAST, Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, e o seu Presidente D. José Manuel Imbamba , o executivo de Angola e o Presidente João Lourenço, mas também as demais instituições civis e religiosas e ainda os partidos políticos, destinatários das palavras para o reforço do diálogo interpartidário em prol da reconciliação do bem-estar dos angolanos.
Durante a presença do Papa em Angola foi o peso da sua voz em defesa da paz e do desenvolvimento humano solidário, não extrativista, que ecoou pelos vários cantos do mundo.
A humanidade e particularmente os líderes mundiais não podem ser indiferentes aos justos apelos que proferiu, sobretudo num período tão perigoso e incerto como o que vivemos.
As graves desigualdades existentes e a banalização das guerras, desconformes ao direito internacional não devem nem podem sobrepor-se ao direito internacional e à paz.
Em Angola Leão XIV teve presente tudo isto e falou sobre a condição humana e particularmente dos que mais sofrem, condenando as políticas públicas extrativistas, nunca é demais repeti-lo, com apostas transparentes e diferentes que recriem esperança no futuro, sobretudo entre a juventude.