Foi em Angola que conheceu a D. Maria de Fátima Alonso "Fatinha" e fez dela sua mulher. Teve com ela um filho biológico, o Kiyoshi Alonso Kinoshita, e uma filha afectiva, a Zuraine Alonso, filha mais velha dela. "Kinoshita-San" foi o meu primeiro chefe, o meu mestre, amigo e conselheiro, um verdadeiro "sensei" para a vida. O seu rigor, disciplina, nível de exigência e de organização faziam dele um "lobo solitário", era difícil ter um assistente, sendo que poucos aguentavam a disciplina de samurai que ele impunha. Trabalhei com ele sete anos consecutivos, de 1999 a 2006.
Estando ele a viver vários anos em Angola, nunca se esqueceu das suas raízes nipónicas, da sua história e cultura. Trabalhar com ele foi um importante processo de crescimento espiritual, cultural, profissional e humano. Dando conta do meu interesse, "Kinoshita-San" passou a trazer-me livros sobre a história do Japão, da cultura, dicionários para aprender a língua da sua terra.
Mais do que uma experiência pessoal e profissional, o que aqui partilho é a história de como as pessoas podem unir povos, reforçar laços entre nações e promover culturas.
No ano em que Angola e Japão celebram 50 anos de relações diplomáticas, era importante que não se esquecessem do japonês mais angolano que tivemos até hoje. Um homem que fez de Angola a sua terra amada e aqui morreu. Kiyoshi Kinoshita foi a alma japonesa em Angola.
Kiyoshi Kinoshita: a alma japonesa em Angola
Kiyoshi Kinoshita é um cidadão que nasceu no Japão em 1941, chegou a Angola em 1978 e tinha 37 anos. Morreu em Luanda em Dezembro de 2023, aos 82 anos. Viveu em Angola durante 45 anos, acabando por ter mais anos de Angola do que da sua terra natal. No ano em que Angola e o Japão celebram os 50 anos do estabelecimento de relações diplomáticas, ele simboliza algo muito importante, muito profundo e permanente: A relação entre os povos, a amizade, a inclusão e os afectos.
