Foi em Angola que conheceu a D. Maria de Fátima Alonso "Fatinha" e fez dela sua mulher. Teve com ela um filho biológico, o Kiyoshi Alonso Kinoshita, e uma filha afectiva, a Zuraine Alonso, filha mais velha dela. "Kinoshita-San" foi o meu primeiro chefe, o meu mestre, amigo e conselheiro, um verdadeiro "sensei" para a vida. O seu rigor, disciplina, nível de exigência e de organização faziam dele um "lobo solitário", era difícil ter um assistente, sendo que poucos aguentavam a disciplina de samurai que ele impunha. Trabalhei com ele sete anos consecutivos, de 1999 a 2006.
Estando ele a viver vários anos em Angola, nunca se esqueceu das suas raízes nipónicas, da sua história e cultura. Trabalhar com ele foi um importante processo de crescimento espiritual, cultural, profissional e humano. Dando conta do meu interesse, "Kinoshita-San" passou a trazer-me livros sobre a história do Japão, da cultura, dicionários para aprender a língua da sua terra.
Mais do que uma experiência pessoal e profissional, o que aqui partilho é a história de como as pessoas podem unir povos, reforçar laços entre nações e promover culturas.
No ano em que Angola e Japão celebram 50 anos de relações diplomáticas, era importante que não se esquecessem do japonês mais angolano que tivemos até hoje. Um homem que fez de Angola a sua terra amada e aqui morreu. Kiyoshi Kinoshita foi a alma japonesa em Angola.