A disputa interna pela liderança do MPLA já começou... João Lourenço concorre à sua própria sucessão na liderança do partido, num processo cujo desfecho será desvendado no congresso de Dezembro próximo. Isso apenas ao nível do partido, sendo por isso importante dizer que no findar das próximas eleições teremos um novo Chefe de Estado, uma nova figura para governar Angola no período 2027-2032.
Existem entes ou entidades, quer sejam nacionais ou estrangeiras, cuja actuação ou "inacção" preocupa sempre.
A INDRA é uma empresa espanhola fornecedora das soluções tecnológicas nas últimas quatro eleições e já ganhou o concurso para garantir o mesmo serviço nas eleições de 2027. Ela tem sido contestada pelos partidos políticos da oposição e pela sociedade civil angolana por alegadamente "viciar os resultados" das eleições em Angola, realizadas em 2008, 2012, 2017 e 2022. As contestações centram-se na falta de transparência do concurso público, na suspeita de manipulação e na desconfiança histórica sobre a lisura do processo eleitoral.
Os partidos têm vindo a recorrer à Justiça, com providências cautelares junto do Tribunal Constitucional e processos no Tribunal da Relação de Luanda para tentar travar ou investigar a contratação da empresa espanhola. Alegam ainda que a centralização e a divulgação de dados através da INDRA beneficiam o MPLA ( partido no poder), levantando dúvidas sobre a independência do processo.
A desordem informativa e o negócio da desinformação em Angola são outras das preocupações para o processo eleitoral e já o foram nas eleições de 2022. Qual é o efeito da desinformação sobre as escolhas políticas dos cidadãos? A manipulação social e política é um grande problema em Angola, partindo das fontes oficiais até às redes sociais. Existe no nosso país uma excessiva interferência do poder político na linha editorial dos órgãos de comunicação social públicos que além de ser perniciosa é também perigosa, condiciona a liberdade editorial, "asfixia" a liberdade de expressão e permite garantir uma agenda de poder com base nos conteúdos emitidos e os espaços de antena cedidos aos diferentes actores políticos. Tudo isso cria estados de opinião,com a finalidade de influenciar na decisão final dos cidadãos.
A desinformação em Angola é um negócio que rende... é alimentada e financiada por máquinas com apoio técnico e humano que trabalham na disseminação de conteúdos editados e pagos mas sempre dentro de uma agenda política, económica, judicial e de grupos de interesses para influenciar e criar estados de opinião. A Inteligência Artificial ( IA) será outra das influências externas que teremos no próximo pleito eleitoral, a que a falta de literacia mediática, de fact- checking e discurso de intolerância poderão ter muita influência na transparência do processo democrático.
Angola é um país no qual potências mundiais como os EUA, A China e a Rússia têm interesses consolidados e vão procurar mantê-los independentemente de quem estiver no poder. O avanço do Corredor do Lobito financiado substancialmente pelos EUA e a União Europeia e a visita do Presidente Biden à Angola em Dezembro de 2024 representam o maior marco da reaproximação de Luanda ao Ocidente nos últimos anos.
Os EUA também têm estado a aumentar a sua cooperação militar com Angola. Em entrevista concedida ao Novo Jornal de Angola, o Tenente-General John Brennan, Vice- Comandante do Comando dos Estados Unidos para África, disse que "O AFRICOM continuará a apoiar a segurança de Angola para que os angolanos possam beneficiar dos seus recursos soberanos", acrescentando ainda que o seu país está a ajudar Angola a reforçar a sua vigilância marítima. A relação fria Luanda-Moscovo, inédita em mais de 50 anos de cooperação estratégica, tem alguns episódios que ajudam a perceber os caminhos do afastamento, como afirmou a jornalista angolana Luzia Moniz.
A Rússia quer recuperar espaço e influência na relação com Angola e isso passa por estar atenta e focada nos processos sociais, económicos e políticos no nosso país, incluindo os eleitorais, sobretudo se tratando de eleições que vão trazer uma nova liderança. A China não fica de fora, é o maior credor do Estado angolano e apresenta-se como um importante parceiro para o desenvolvimento e industrialização de Angola. Portanto, temos aqui três países que acompanham atentamente a vida política angolana, têm interesses económicos no País e certamente procurarão ser influentes "actores externos" no processo eleitoral angolano de 2027.
