"Todo o investimento em infra-estruturas perde quase todo o seu valor se não houver um plano rigoroso de manutenção continua", disse ao Novo Jornal, o porta-voz da UNITA Francisco Fernandes Falua, quando reagia a inauguração sábado, 05, das barragens e Ndue e Calucuve.
De acordo com o político, Angola investiu milhares de milhões na reconstrução da sua rede rodoviária, mas a ausência de uma manutenção periódica faz com que estradas reabilitadas voltem a ficar intransitáveis em poucos anos, destruindo o investimento inicial e obrigando o Estado a gastos duplicados.
"Por exemplo no canal do Cafu foram detectados problemas e fendas em algumas zonas da infra-estrutura pouco depois da inauguração, obrigando a intervenções de restauro e reparações assumidas pelas empresas empreiteiras sob fiscalização", acrescentou.
O secretário-geral do PRS, Muata Sebastião, destacou a construção destas duas barragens numa província que tem sido afectada pela seca ao longo dos anos.
"Construir infra-estruturas é um primeiro passo, mas garantir a manutenção continua é o que define o sucesso real de qualquer investimento público. Sem uma conservação adequada, obras caras deterioram-se rapidamente, resultando em desperdício de fundos e frustração para os cidadãos", disse.
O membro do Comité Central da FNLA, Ndonda Nzinga, diz que Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA) vai resolver a escassez extrema de água para os habitantes da província do Cunene, com a inauguração de mais duas barragens.
"O trabalho deve ser elogiado, mas manutenção de infra-estruturas é fundamental para garantir a segurança, a continuidade dos serviços essenciais e a sustentabilidade económica de qualquer País ou empresa", sublinhou criticando que em muitos casos as autoridades têm vindo a negligenciar a conservação de muitas obras já construídas.
A Barragem do Ndue, localizada na bacia hídrica do rio Cuvelai, possui 32,80 metros de altura e 1500 de comprimento, uma rede de canais adutores de 75 quilómetros e 15 chimpacas (reservatórios artificiais de água), passando pelos municípios do Cuvelai, de Chissuata e de Cafima.
Está implantada numa área de 17,14 quilómetros quadrados, com possibilidade de armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água.
Ao custo de 192 milhões de dólares americanos, a barragem foi construída em cinco anos e vai garantir o abastecimento de água a 55 mil habitantes, 60 mil cabeças de gado, bem como irrigar uma área de 9200 hectares.
Já a do Calucuve, com 31,60 metros de altura e 2.184 de comprimento, possui uma albufeira de 141 milhões de metros cúbicos, com um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas.
Está associada a uma rede de canais, com uma extensão de 111 quilómetros e mais 22 chimpacas no traçado Calucuve/Ondjiva, num projecto que teve um investimento de 177 milhões de dólares, para abastecer água a mais de 80 mil pessoas e perto do 200 mil cabeças de gado.
No âmbito do Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA, foi inaugurado, em 2022, o Sistema de Transferência de Caudais no Cafu, que garantiu o acesso à água a 235 mil pessoas e 250 mil animais bem como a irrigação de cinco mil hectares de campos agrícolas.
O Presidente da República de Angola, João Lourenço, desloca-se esta sexta-feira, 04, à província do Cunene para inaugurar oficialmente as barragens do Ndue e do Calucuve Localizadas no município de Cuvelai.
Estas obras estruturantes juntam-se ao já operacional Canal do Cafu para mitigar a crise humanitária provocada pela estiagem prolongada na região.
A sua entrada em funcionamento visa garantir o abastecimento de água potável às populações locais, impulsionar o regadio agrícola e viabilizar a subsistência da pecuária.
