O grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), requereu à Assembleia Nacional um debate com "carácter de urgência" sobre o impacto do aumento do preço do barril do petróleo no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026 e na vida das famílias angolanas.

No início da reunião plenária, o Parlamento reprovou o requerimento da UNITA, que propunha igualmente abordar, nesta sessão, a escassez de combustíveis no País.

A pretensão de um debate com urgência foi travada com 63 votos a favor da UNITA, Partido de Renovação Social (PRS) e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), oposição, e 78 votos contra do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, poder) e do Partido Humanista de Angola, oposição.

A UNITA estimou, no início de Junho, que o Governo angolano beneficiou de ganhos petrolíferos brutos adicionais de mais de 10 mil milhões de dólares, entre 2024 e 2026, tendo anunciado, na ocasião, que solicitou um debate parlamentar urgente, rejeitado em plenário.

No domínio das receitas fiscais adicionais, os ganhos extraordinários acumulados entre 2024 e 01 de Junho de 2026, segundo a UNITA, variaram entre 2,3 e 4 mil milhões de dólares, "associados directa ou indirectamente à valorização impulsionada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente", disse a deputada Albertina Ngolo.

A presidente do grupo parlamentar da UNITA, que falava esta quinta-feira em conferência de imprensa, salientou que os números "demonstram que Angola está a beneficiar de um dos maiores ciclos de ganhos petrolíferos extraordinários desde o período pós-pandemia".

Contudo, observou a deputada da UNITA, a "questão estratégica" permanece a mesma, por entender que o País continua "excessivamente dependente dos choques externos" para equilibrar as suas contas públicas.