O Relatório Anual de Resíduos Sólidos Urbanos 2025 foi hoje apresentado, em Luanda, pela Agência Nacional de Resíduos Sólidos, documento considerado um importante instrumento técnico de suporte ao conhecimento, planeamento e tomada de decisão sobre a gestão do lixo.
A província de Luanda lidera na produção de resíduos sólidos, fruto também da sua densidade populacional, seguindo-se a Huíla, Huambo, Benguela, Bié, Uíje, Cuanza Sul, Cunene, Lunda Norte e Icolo e Bengo.
No documento realça-se que a taxa média de recolha anual é de 24%, percentagem que em Luanda, capital angolana, sobe para os 80%, a mais elevada, existindo ainda alguns focos ao ar livre, mas não permanentes.
Depois de Luanda, o Namibe (70%), Cabinda (71%) e Benguela (51%) são as províncias com maior taxa de recolha, seguindo-se o Bengo, Huambo, Cuanza Norte e Malanje, com a percentagem de 35%.
Em Angola, em termos de caracterização, lideram os resíduos sólidos (57%), seguindo-se os plásticos (17%), papel e cartão (9%), metais (6%), vidro (4%), têxteis (4%) e outros (3%).
Segundo o consultor da Agência Nacional de Resíduos Sólidos, Rui da Silva, que apresentou o relatório, as maiores fontes geradoras de resíduos são domésticas (65%) e as comerciais (15%), construção (8%), industriais (5%), agrícolas (3%), institucionais (2%), petrolíferos (1%) e mineração (1%).
No documento destaca-se que as iniciativas de reciclagem no país ainda são tímidas, mas em Luanda já decorre de forma sustentável.
"Com uma produção diária superior a 19 mil toneladas de resíduos sólidos, Angola enfrenta um desafio significativo, com apenas 10% do total produzido reciclado, enquanto a maioria termina em lixeiras a céu aberto ou é deposta de forma inadequada", lê-se no relatório.
Rui da Silva referiu que, em Luanda, 15 empresas utilizam recicláveis como matéria-prima, oito estão envolvidas na instalação de ecopontos, existindo já 273 pontos de ecopontos instalados, situação que nas outras províncias ainda é "extremamente tímida".
Segundo o relatório, as províncias de Luanda, Bengo, Cuanza Norte, Cuanza Sul e Benguela são as que apresentam "um risco muito alto" em termos de contaminação por cólera, sendo as de risco baixo o Huambo, Bié, Cubango, Cuando, Moxico, Moxico Leste e Lunda Sul.
Em declarações à imprensa, Rui da Silva frisou que um dos maiores desafios na gestão dos resíduos sólidos são os pontos de deposição do lixo e de tratamento, considerando que todas as províncias do país devem ter um centro de valorização dos resíduos.
"Outro ponto que achamos extremamente interessante, que poderá ajudar muito na gestão de resíduos, é uma ferramenta legal que possa suportar o sistema de contratação dos operadores na gestão de resíduos", referiu, aclarando que o atual diploma, a Lei de Contratação Pública, desencoraja a realização de investimentos nesta área.
A fonte frisou a necessidade de uma particular atenção às questões de educação ambiental, considerando que o país ainda carece da capacidade de informação e sensibilização sobre a gestão de resíduos e da sua deposição em locais próprios.
