São dados oficiais sobre as consequências do rompimento do dique de protecção da margem esquerda do Cavaco, que afectou pelo menos cinco bairros periféricos, de onde ainda fogem famílias à procura de segurança no casco urbano.

Tal como verificou esta manhã o NJ, várias famílias ocupavam passeios, jardins, ou permaneciam à porta de instituições públicas, com trouxas de roupas, televisores e botijas de gás.

São aquelas que, mesmo com as casas inundadas e as fortes correntes de água, conseguiram "salvar" alguns electrodomésticos. Não é o caso da família de Ana Ngueve, oriunda da Calomanga, que pernoitou na Estação do Caminho-de-ferro de Benguela.

"Perdemos tudo, não conseguimos nada", resume, em lágrimas, a senhora, enquanto o filho, bem ao lado, acrescenta que a preocupação da família "era só evitar mortes".

Os cidadãos ouvidos neste local dizem esperar por apoios do Governo Provincial de Benguela e de uma sociedade civil que se mobiliza para fornecer alimentação, vestuário e outros bens essenciais.

O Instituto Nacional de Emergências Médicas (INEMA) informa que assistiu 40 pacientes, a maior parte com crises de pânico, e destaca um parto no telhado de uma casa.

Em alertas dirigidos ao Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, os cidadãos contactados pelo Novo Jornal acrescentam que "existem muitos companheiros desaparecidos".

O transbordo do Cavaco, reflexo de fortes chuvas no interior da província, danificou duas pontes ferroviárias, uma no Caimbambo e outra em Benguela, justamente aquela que se encontra sobre o rio que transbordou.

Entrretanto, o Governo Provincial de Benguela fez sair um comunicado em que informa que o recomeço das aulas, previsto para o dia 13, foi adiado "até que as condições permitam o regresso em segurança".

As águas destruíram ainda campos agrícolas no vale do Cavaco, tal como dá a conhecer o Governo Provincial, que reafirma apoio às famílias afectadas e medidas para minimizar os estragos.