Face porém à postura de Trump são mais que legitimas as interrogações que se colocam quanto à essência da política externa dos EUA por antagonizar os aliados tradicionais dos EUA, desde logo de países que fazem parte da UE e da Nato.
A intervenção no IRÃO por exemplo não foi precedida de resoluções da ONU ou no mínimo da informação que conduzisse a uma avaliação de tácita compreensão dos aliados dos EUA não deixando de afectar por isso a vários títulos a priorização da política dos EUA com a CHINA .
O Presidente dos EUA não só não se lembrou dos aliados como não ponderou a tempo as consequências económicas e financeiras para o mundo com o encerramento do estreito de Ormuz .
Só mais tarde perante o avolumar dos riscos lembrou dos aliados.
Ignorou aliás regras básicas em vigor no direito internacional contribuindo para legitimar a abertura de uma caixa de Pandora reconhecendo no fundo o direito dos países mais fortes se imporem pele força aos mais fracos ou sobre territórios de que reclamem ter domínio.
Como já escrevi a propósito da UCRÂNIA se a moda pega África tem de se cuidar pelo facto da esmagadora das fronteiras dos seus países serem artificiais.
É útil ter presente que enquanto o conflito no IRÃO prossegue com extensão a vários países islâmicos da região por reacção da teocracia que domina o IRÃO, a CHINA na sua Assembleia Popular de 5 a13 de Março aprovou o plano quinquenal 2026-2030 com vista ao reforço do PIB para o dobro.
Este ano aliás o orçamento da CHINA aumenta 10% na ciência e tecnologia em relação a 2025, aumento percentual mais significativo do que os respeitantes a funções soberanas como a Defesa e a Segurança.
Entretanto o crescimento de adjudicações de que beneficia por parte de países do Médio Oriente incluindo Israel continuam a bom ritmo.
Como refere António Caeiro, jornalista, em recente artigo "a China tem parceiros não aliados "e a propósito da contenção da política externa deste país invoca um conhecido ensaísta Chinês , Wang Ziechen , que declarou que é útil não confundir a contenção da China com fraqueza.
Por outras palavras a CHINA está através do reforço orçamental da ciência e da tecnologia não só a alavancar o desenvolvimento interno, mas também a procurar fazer crescer vantagens competitivas no futuro , consciente da competitividade internacional desde logo com os EUA .
Neste quadro que o Presidente Xi Jinping anunciou na 36ª Assembleia anual da União Africana em 14/2/2026 que a CHINA passaria a partir de 1 de Maio de 2026 a isentar de tarifas alfandegárias as importações de 53 países africanos que têm com ela relações diplomáticas incluindo naturalmente Angola.
Não é por acaso que excluiu ESWATINI (ex-SWAZILANDIA), por reconhecer TAIWAN, território que, como é sabido, a CHINA considera parte integrante dela...
XI Jinping foi mais longe e adiantou a necessidade dos países africanos reforçarem as capacidades económicas que têm, com fortalecimento das infra-estruturas logísticas e das cadeias produtivas.
Na prática o que a CHINA hoje importa de todos esses países africanos é metade do que exporta para eles.
A contenção virá no futuro a revelar-se força ou fraqueza no conflito comercial que se está desenhando?
Esta é uma questão importante para se perspectivar realisticamente o futuro.
