Como surgiu o Novo Jornal?
Findo o conflito armado, Angola estava a atravessar um dos seus melhores momentos de crescimento económico, reabilitação e construção de infra-estruturas, abertura ao investimento privado, nacional e estrangeiro.
No plano político, o País preparava-se para realizar as segundas eleições, 16 anos após as multipartidárias de 1992, cujo desfecho e sequência não queremos ver repetidos.
Havia, portanto, um pulsar político, económico, social, cultural e desportivo que engajava a todo, de forma distinta, mas com um sentimento, diria generalizado, de esperança num país diferente que, finalmente, tinha encontrado o seu caminho.
Foi neste quadro que surgiu o Novo Jornal, como expressão desse movimento que então se vivia e, sobretudo, reflexo, a nível da imprensa, da nova Angola, que merecia ter também um jornal moderno, como noutras paragens, que fosse disruptivo com o padrão de imprensa que havia na altura e referência para o futuro.
Tratou-se da primeira iniciativa empresarial privada na comunicação social angolana, já que demais não passavam da conjugação de vontades de grupos de jornalistas que se associavam e deram lugar a alguns títulos de imprensa.
O Novo Jornal trouxe à imprensa angolana diversas inovações que fazem com que seja considerado uma referência que prevalece até hoje, quando assume a maioridade, nestes 18 anos de estrada.
A própria escolha do título foi, também ela, nesse sentido: um Novo Jornal para uma nova Angola!
Os primeiros números de um jornal são sempre os mais trabalhosos. Como eram os primeiros exemplares, tinham o mesmo formato que os actuais?
O Novo Jornal foi criado nesse ambiente descrito e, por isso, foi pensado para dar destaque à política, economia, cultura e desporto. Além do caderno principal, generalista, tínhamos um de economia e outro de cultura e lazer (Mutamba).
Antes de sair oficialmente para o público, houve um "número 0" impresso, além de outros internos sem impressão. Tínhamos a preocupação de chegar aos leitores apenas quando a máquina estivesse o mais afinada possível.
E a aposta revelou-se um sucesso, com a fila de anunciantes a disputarem os espaços publicitários do jornal, sobretudo no caderno de Economia.
É evidente que só com a prática, a pressão do fecho, se criam as rotinas para o sucesso e isso não se consegue logo no início, quando erámos paus para toda a obra: todo o mundo ajudava no que podia, independentemente da sua especialidade.
De uma forma geral, a génese do jornal mantém-se, assumindo-se que os custos de ter três cadernos independentes não seja barato e, pior ainda, nos tempos actuais.
Lembra-se da manchete da primeira edição?
A manchete do primeiro número foi sobre a posição da UNITA manter-se ou não no GURN, noticiando-se que se manteria até às eleições e que só sairia se fosse empurrada pelo MPLA.
O NJ saiu, não por acaso, no dia de aniversário da Cidade de Luanda, agora erradamente confundido com a província, e incluiu uma larga reportagem e artigos de opinião sobre a capital, o seu quotidiano, os seus males, os encantos e ideias para a solução e evolução.
Destaque ainda para a entrevista com o ministro das Finanças à época, José Pedro de Morais, que, entre outras revelações, disse que as receitas do petróleo não se distribuem individualmente.
Lembro-me também de termos publicado, na primeira edição, um poster colorido da selecção nacional sénior feminina de andebol, que acabara de conquistar, em Luanda, mais um título africano e garantido a qualificação para os Jogos Olímpicos de Beijing.
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