Segundo o Censo da População do Canadá de 2021, pelo menos 28.490 cidadãos identificavam-se como bósnios. Um número significativamente inferior às 100.000 vítimas do conflito armado de 1992-1995, das quais 38.000 civis.
Nesse território dos Balcãs, na antiga Jugoslávia, milhares de cidadãos, crianças e soldados tiveram como destino a morte.
Para muitas famílias, o Canadá serviu de refúgio. É nesta confluência entre passado e presente, entre a memória da guerra e uma identidade multiétnica e multicultural, que nasce o encontro do Grupo B do Mundial de 2026.
A formação bósnia foi a última a garantir vaga para o Campeonato do Mundo, após empatar a uma bola e eliminar a histórica tetracampeã Itália no desempate por penáltis, por 4-1.
Os "Dragões", como é conhecido o conjunto do sudeste europeu, têm em Edin Džeko a principal referência. Aos 40 anos, o avançado continua exímio na arte de fuzilar balizas adversárias e tem sido influente no regresso do Schalke 04 à Bundesliga.
Mas a Bósnia não vive apenas da experiência do seu capitão. Há uma nova fornada de talentos a despontar, casos do defesa-central Tarik Muharemović, do Sassuolo, de Kerim Alajbegović, transferido do RB Salzburg para o Bayer Leverkusen em Março, e de Esmir Bajraktarević, uma das promessas do PSV.
São rostos de uma geração que procura projectar a selecção balcânica no panorama internacional.
Quanto ao Canadá, o cenário é diferente. Não precisou de disputar a qualificação por integrar o lote de países anfitriões. Ainda assim, os "Les Rouges" têm crescido no contexto da CONCACAF, uma região historicamente dominada por México e Estados Unidos.
Os anfitriões, que já organizaram o Campeonato do Mundo Feminino em 2015, recebem pela primeira vez uma fase final masculina do Mundial.
Jonathan David, da Juventus, e Alphonso Davies, do Bayern Munique, são os nomes mais mediáticos do elenco. No entanto, o guarda-redes Maxime Crépeau, do Orlando City, também merece atenção, sendo uma das figuras de confiança de uma equipa que procura confirmar a sua ascensão no futebol internacional.
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Grupo D: Paraguai e EUA sob influência argentina
O Paraguai não participava num Campeonato do Mundo desde 2010, ano em que alcançou o melhor resultado da sua história ao chegar aos quartos-de-final.
Sob o comando de Gustavo Alfaro, "La Albirroja" aposta num futebol pragmático, assente em processos simples e jogo directo. É uma equipa que privilegia a disputa intensa de cada bola e a pressão alta para forçar o erro do adversário.
Do outro lado surgem os Estados Unidos, também sob influência argentina no comando técnico, com Mauricio Pochettino no banco. O treinador aposta num estilo mais flexível, adaptado ao perfil dos jogadores que tem à disposição.
Mais do que talento individual, o Paraguai apresenta-se como uma selecção combativa, que não dá um lance por perdido. Uma identidade muito ligada ao espírito tradicional do futebol sul-americano, moldado por treinadores de perfil mais rígido e competitivo, como Carlos Bilardo, figura histórica do futebol argentino e símbolo de uma abordagem mais pragmática e intensa ao jogo.
Esse perfil reflecte-se em jogadores como Miguel Almirón (Newcastle), o central Gustavo Gómez (Palmeiras) e Julio Enciso, o virtuoso ao serviço de um grupo de forte dimensão colectiva.
Do outro lado, encontra-se uma selecção norte-americana com abordagem mais dinâmica, liderada por Pochettino, que procura adaptar o modelo de jogo ao perfil dos seus jogadores.
Dois técnicos, dois países distintos, dois bancos com sotaque semelhante, onde os batalhadores paraguaios enfrentam os talentosos e motivados homens da casa.
Paraguai e Estados Unidos abrem a primeira jornada do Grupo D esta sexta-feira. O encontro disputa-se na madrugada de sábado, às 2:00 (horário de Angola).
Mundial 2026: Antevisão – Bósnia e Canadá, um jogo com sabor multicultural
Bósnia e Canadá partilham múltiplos traços comuns e o jogo desta sexta-feira será apenas mais um desses cruzamentos. A partida será disputada no Estádio de Toronto, às 20:00 (horário de Angola).








