Os pupilos de Pedro Bubista escreveram mais uma página de ouro no desporto do Arquipélago.

Perante uma selecção considerada uma das principais candidatas ao título, os Tubarões Azuis voltaram a fazer valer a solidariedade, a entre-ajuda, a resiliência e a organização posicional no relvado que lhes permitiram alcançar o Campeonato do Mundo.

Impulsionados pelo apoio dos adeptos espalhados pelo mundo, os jogadores de Cabo Verde deram tudo aquilo que tinham e sacrificaram-se durante 90 minutos em prol de um ponto que sabe a vitória, tendo em conta que, para grande parte dos observadores, este era um resultado inesperado.

Todavia, este é o culminar de um trabalho iniciado por Lúcio Antunes, enriquecido pelo contributo de Rui Águas e sustentado pelo investimento e pela conjugação de esforços de muitos intervenientes que ajudaram a consolidar o crescimento do futebol cabo-verdiano. Pedro Bubista, outro dos obreiros desta caminhada, dispõe hoje de um grupo maduro, coeso, inteligente na interpretação dos diferentes momentos do jogo e combativo do primeiro ao último minuto.

Mais do que um resultado, este empate representa a afirmação de um projecto construído ao longo de vários anos, assente na competência, na ambição e na crença de que Cabo Verde pode competir de igual para igual com as melhores selecções do mundo. Em Atlanta, os Tubarões Azuis voltaram a demonstrar que o futebol cabo-verdiano continua a crescer e preparado para escrever mais capítulos memoráveis na sua história.

Embora a Espanha fosse clara favorita, Vozinha foi uma autêntica muralha azul que engoliu todos os ataques da La Roja. O antigo guarda-redes do Progresso do Sambizanga foi por isso considerado o homem do jogo.

Com este resultado, espanhóis e cabo-verdianos têm ambos um ponto no grupo H, enquanto ficam à espera do Uruguai e da Arábia Saudita que vão jogar entre si pelas 23:00 (hora de Angola).