Das empresas francesas, públicas e privadas serão aplicados 14 mil milhões de euros e os restantes 9 mil milhões de euros serão da participação das instituições africanas. É a lógica do co-investimento em que França tem interesse de apoiar África a garantir autonomia financeira e representação institucional.

"Fazer África avançar a nível económico significa maior soberania e autonomia. O vosso sucesso é o nosso sucesso!", disse Emmanuel Macron durante o seu discurso nesta terça-feira, 12, no Centro Internacional de Conferências Kenyatta, em Nairobi. Apresentando aos Chefes de Estado africanos presentes a nova estratégia de cooperação de França com África, que "rompe" com a tradicional cooperação baseada na ajuda, avançando agora para a cooperação em investimentos em grande escala, parcerias industriais e num crescimento impulsionado pelo sector privado, Macron defendeu ainda que a nova parceria com África deve focar-se no "co-investimento, na transformação industrial, no desenvolvimento de infra-estruturas e na construção de economias resilientes", numa lógica de aprofundamento e reforço das relações comerciais com os países do continente africano.

O Chefe de Estado francês avançou, igualmente, que, com estes investimentos, irão gerar 250 mil em França e em África nos próximos anos.

«A relação com França é uma relação estável, uma relação que tem dado a Angola resultados positivos», José de Lima Massano, ministro de Estado para a Coordenação Económica

Durante a Cimeira África Forword, nos dias 11 e 12 deste mês, em Nairobi, Quénia, o ministro de Estado para a Coordenação Económica manifestou atisfação pelo nível em que se encontram as reacções entre Angola e França. Afirma, também, que o País tem, hoje, o dobro do PIB da agricultura em relação ao sector petrolífero.

Ministro de Estado para a Coordenação Económica participa em representação do Presidente da República. O que é que veio abordar?

Falámos um pouco sobre o futuro de África, nesta parceria com a França. No painel em que participámos, abordou-se sobre os caminhos que a Angola tem estado a trilhar para desenvolver a nossa agricultura.

Como é que a Angola olha para isso, uma vez que França parece trazer uma nova abordagem para África e está, também, a fortalecer o investimento em relação a um país da África francófona e Angola como um dos países privilegiados?

Somos membros observadores desta comunidade francófona, mas, enquanto observadores, temos uma relação histórica já com França, e ela é multifacetada. E temos tido, particularmente, nestas frentes que definimos como sendo prioritárias do desenvolvimento económico uma parceria que se tem estado a fortalecer. Temos um conjunto de agências francesas ligadas ao desenvolvimento, que estão a trabalhar connosco em Angola. Temos uma parceria que vai para lá destes domínios. Temos exploração internacional, vamos dizer de forma transgénera, com França. E o que nós vemos é sempre esta oportunidade de continuarmos a fortalecer. É uma relação estável, é uma relação que tem dado a Angola resultados positivos.

Quais as principais referências desta cooperação?

E novamente, uma das referências é mesmo a agricultura, porque aí temos um conjunto de entidades francesas suportadas pela Agência Francesa de Desenvolvimento, que estão a apoiar projectos específicos em Angola. Então, dizer que, no geral, é uma parceria forte, e a nossa presença aqui vem, simplesmente, manifestar esse compromisso que temos com França e países africanos, que continuamos a fazer este caminho.

Este é, realmente, uma área que muito fala da segurança alimentar. Como é que Angola está a fazer o presente?

Colocámos na agenda a segurança alimentar por vários motivos. Primeiro, porque o País não pode continuar tão dependente dos alimentos importados, portanto, aquilo que são as nossas potencialidades, Angola tem de encontrar a autonomia. Por outro lado, a segurança alimentar traz-nos, também, a possibilidade de desenvolvimento das novas comunidades que vivem no campo. E, se tivermos mais de três milhões de famílias angolanas e tivermos condições de apoiar estas famílias a irem buscar maior produtividade, a fim de terem mais acesso a financiamento, com condição de apoiar o desenvolvimento das próprias comunidades em si. Temos também a gestão da economia. Se conseguirmos esta combinação, estaremos a fazer o nosso trabalho em alinhamento com os objectivos que temos de desenvolvimento para o nosso país. A agricultura tem marcado passos importantes. Nós, neste momento, temos a agricultura como o sector não apenas que engaja mais pessoas em Angola, mas também aquele que mais contribui para o crescimento económico do País.

França quer África presente no Conselho de Segurança da ONU, anúncio foi feito durante o Africa Forward

Emmanuel Macron reagia às denúncias feitas pelo seu homólogo queniano William Ruto sobre as desigualdades politicas, económicas e diplomáticas que África enfrenta a nível mundial, defendendo ainda uma maior capacitação da União Africana e melhor representação do continente nas instituições financeiras internacionais.

William Ruto fez questão de clarificar que Àfrica " não pede privilégios, mas justiça", sendo ao ser excluído de uma representação permanente no Conselho de Segurança da ONU é uma situação que " mina a credibilidade do Sistema multilateral", onde a sua voz não é ouvida e nem respeitada.

" É indefensável e inadmissível que África continue a ser excluída de ter representação permanente no Conselho de Segurança da ONU", afirmou o Presidente do Quénia, apelando ainda para reformas urgentes na instituição que sejam o reflexo da realidade geopolítica actual.

Ruto realçou ainda que muitas decisões do Conselho de Segurança da ONU dizem respeito ou afectam o continente africano e este não é " tido e nem ouvido" durante as discussões.

«As relações entre França e Angola foram elevadas para um outro nível», Jean-Noel Barrot, ministro dos Negócios Estrangeiros de França

A França definiu uma nova estratégia diplomática para África, há necessidade de Paris se reinventar, de uma nova abordagem ao nosso continente e um reforço da cooperação nas vertentes sociais e culturais. Minutos antes do início do Africa Forward Summit houve tempo para uma breve conversa sobre a visão geral do seu país com o continente africano e das relações com Angola.

Quais são as suas expectativas em torno desta edição do Africa Forward Summit que a França e o Quénia organizam?

Tivemos no dia de abertura o maior fórum de negócios no continente e agora (dia 12) é o início da renovação das reações entre França e Àfrica com base em parceiras sólida, estratégica, benefícios mútuos e partilha de responsabilidades.

Estamos perante uma nova abordagem de França ao continente africano, uma reorientação da cooperação com Àfrica para outras áreas menos políticas como a inovação, o empreendedorismo, os negócios, investimento financeiro, tecnologias, inteligência artificial e transição energética?

Afirmativo. Nós temos fortes relações e ligações ao continente africano, temos um futuro em comum, e esta cimeira de Nairobi veio confirmar isso, que estamos a caminhar juntos.

E sobre a cooperação com Angola? Temos verificado também um aumento nos investimentos franceses no nosso País.

Correcto. Nos últimos dez anos e sob a liderança do Presidente Macron nós temos reforçado os laços, criando novos. sectores de investimentos e novas par-cerias. As relações entre França e Angola foram elevadas para um outro nível, estamos muito orgulhosos disso e vamos continuar a trabalhar arduamente para a consolidação das nossa parceria.

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