Depois de três países deixados para trás nesta sua caminhada apostólica pelo continente africano, a Guiné Equatorial não fugiu ao guião papal que elencou de novo o pecado da ganância e da guerra, da injustiça e da miséria numa "liturgia" que incomoda.
Leão XIV deixa África como o "leão primeiro" da luta contra as injustiças neste continente onde estas abundam, como o Papa a isso se referiu da Argélia aos Camarões, em Angola e agora na Guiné Equatorial, mas também o "rei" da esperança de que aqui se saiba lutar para vencer a iniquidade.
E isso fica bem expresso quando disse, mesmo antes de partir de regresso a Roma, em tom de lamento que há uma "tristeza individualista que nasce do coração confortável e avarento e da procura doentia de prazeres superficiais", impondo à Igreja Católica um nova missão neste canto da Terra onde isso é tão ou mais evidente que em qualquer outro lugar.
O Papa que a Igreja "especialmente ao serviço da justiça e da solidariedade", o que foi o grande recado deixado na missa celebrada no estádio de Malabo, a capital da Guiné Equatorial, um dos países mais "católicos" em percentagem da população, mais de 85%, mas um dos mais férteis, ao mesmo tempo no vasto leque dos pecados citados ao longo destes 11 dias africanos do Papa norte-americano.
"Se estás oprimido pela injustiça, ele (Cristo) é a justiça. Se precisas de ajuda, ele é a força. Se tens medo da morte, ele é a vida", disse, indicando aos crentes que é também em Cristo que encontram "a plenitude da vida e do sentido".
Curiosamente, também nesta sua última paragem, a chuva foi permanente e persistente a acompanhar o Papa, como o fora já na Argélia e nos Camarões, mas não em Angola, onde o sol esteve sempre presente na sua jornada angolana.
"Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, já não há espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se desfruta da doce alegria do seu amor", disse, num evidente recado para quem, como disse em Saurimo, na sua passagem pela Lunda Sul, gosta de fazer do "pão de todos a propriedade de apenas alguns".
E, numa alusão ao que leva pessoalmente deste "tour" apostólico, o Sumo Pontífice manifestou a gratidão pela forma como foi acolhido nos quatro países, insistindo que leva com ele a ideia de este continente "é um tesouro" de possibilidades ilimitadas para a fé e para a caridade.
"Levo comigo um tesouro feito de histórias, caras, testemunhos, repletos de alegria, mas também de sofrimento, que enriquecem a minha vida para sempre como sucessor de Pedro", apontou.
E lembrou a importância de África na vida da Igreja, recorrendo à memória escrita dos primeiros anos do cristianismo, dizendo que este continente é sempre chamado , como nesses tempos, a contribuir para o carácter missionário dos que acreditam em soluções e não nas derrotas inevitáveis.
O Papa começou este périplo africano a 13 de Abril, na Argélia, seguiu para os Camarões, trés dias depois, onde esteve até 18 de Abril, dia em que chegou a Angola, para partir a 21 rumo a Malabo, de onde sai esta quinta-feira, 23, de regresso ao Vaticano.








