Face a esta abertura da CNE para corresponder a algumas das exigências da oposição para reforçar a solidez do processo eleitoral, que dizem ser permeável à fraude, a UNITA veio hoje sublinhar a importância desta atitude da Comissão, que corresponde a uma das suas exigência para "garantir a transparência" da votação de 23 de Agosto, onde mais de 9,3 milhões de eleitores vão escolher o próximo PR e os 220 deputados da Assembleia Nacional.

Citado pela Lusa, o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, sublinhou a importância deste gesto, afirmando que ele já deveria ter ocorrido nas eleições anteriores, onde o maior partido da oposição já tinha feito semelhantes reparos à permeabilidade do Processo Eleitoral à fraude.

"As nossas manifestações, que naturalmente vão continuar, visam corrigir o que chamamos de irregularidades, para garantir a transparência do processo eleitoral. A auditoria ao Ficheiro de Cidadãos Maiores [FICM] tem sido uma das nossas exigências", disse, em declarações à Lusa, o porta-voz da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Uma das questões que a UNITA vem sublinhando deste o fim do registo eleitoral é que os eleitores registados em 2012 são em número superior aos que estão em condições de votar nas eleições gerais deste ano, suscitando ainda dúvidas sobre muitos eleitores que, mesmo tendo feito prova de vida, poderão ter sido excluídos das listas, bem como a questão polémica sobre a existência de duplos registos de eleitores.

Recorde-se que esta auditoria, cuja realização terá de ser feita por uma empresa independente, carece ainda do trabalho da comissão criada pela CNE para organizar a sua contratação, de acordo com as normais, e tem pouco mais de um mês e meio até ao arranque da campanha eleitoral.

Para além da auditoria à integridade do FICM, a empresa que sair deste concurso, vai ainda analisar as soluções tecnológicas encontradas para o seu uso, sendo que, neste capítulo, entrarão as empresas SINFIC e INDRA, que também estão sob fogo intenso da oposição, sugerindo que são estas um dos pilares de eventuais fraudes no processo eleitoral.

Esta resposta a uma das principais exigências da oposição foi decidida numa reunião plenária da CNE que teve lugar no Sábado.

"Mandatamos à comissão de avaliação para aferir já, não só, a auditoria ao FICM, mas também a auditoria à solução tecnológica para que efectivamente, de acordo com os prazos estabelecidos na Lei, particularmente a solução tecnológica e ao FICM, tenhamos os resultados dessa auditoria dentro dos prazos, até 30 dias antes da data da realização das eleições gerais", disse a porta-voz da CNE, Júlia Ferreira.