Luta contra a epidemia de febre-amarela ainda não acabou

Novo JornalPublicado 18/04/2017 14:44:00

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (UNOCHA) defende que o programa de combate à epidemia de febre-amarela que, ao longo de 2016, fez milhares de vítimas em Angola e na República Democrática do Congo, seja continuado até 31 de Maio de forma a diminuir ao máximo o potencial de ressurgimento.

Este pedido de extensão das actividades ligadas ao combate e à profilaxia da epidemia de febre-amarela, tanto em Angola como na República Democrática do Congo (RDC), países onde esta se fez sentir de forma trágica até finais de 2016, resulta da constatação de que subsistem actividades planeadas que ainda não foram totalmente executadas.

Uma das medidas que o UNOCHA, segundo o site onde divulga as operações que envolvem a sua coordenação e ou colaboração no terreno na coordenação das operações, é a finalização do mapa de vacinação e a mobilização social para a implementação de medidas preventivas, especialmente até ao final da época das chuvas, onde, devido às condições ideais de multiplicação de mosquitos, podem surgir novos focos da doença.

Para isso, esta agência das Nações Unidos preconiza novos esforços junto das comunidades, especialmente nas mais vulneráveis, para que sejam minimizadas as possibilidades de procriação dos mosquitos, normalmente associados a concentrações de água das chuvas, seja em recipientes caseiros, seja em charcos naturais.

Para isso, a ONU, via UNOCHA, sublinha, no mesmo documento, a importância de que os doadores nacionais e internacionais não deixam de apoiar a Cruz Vermelha de Angola por forma a garantir que o apoio aos mais necessitados nesta batalha contra a doença não vai falhar, minimizando assim as possibilidades de surgimento de novos focos e de um refluxo no sucesso que se conseguiu ao vencer a mais intensa epidemia de febre-amarela em 30 anos na região africana.

Recorde-se que esta epidemia começou em finais de 2015 e o surto teve início em Viana, com a confirmação dos primeiros casos em Janeiro de 2016, tendo o Ministério da Saúde angolano iniciado de imediato o combate à doença que, apesar de tudo, acabou por progredir de forma intensa em número e em área geográfica, tendo atravessado a fronteira para a RDC, com forte impacto em Kinshasa, cidade que, a par de Luanda, assistiu à maioria das vítimas fatais.

A epidemia foi dada como controlada em finais de 2016, depois de um esforço global para encontrar stocks de vacinas, com o uso do que existia, assistindo-se então a um esforço de produção em massa de vacinas, o que, ainda assim, permitiu manter os números de vítimas, mais de 4500 casos e cerca de 380 mortes, relativamente controlados.

O último caso relativo a esta epidemia, em Angola, foi registado em Junho do ano passado e em Outubro foram notificados dois, no Kwanza Sul, embora as autoridades sanitárias garantam que se tratou de duas pessoas sem histórico de vacinação e, por isso, susceptíveis de voltar a dispersar a doença.

Neste momento, ainda segundo os planos traçados com o Ministério da Saúde é terminar a vacinação abrangendo 100 por cento da população alvo angolana no decurso do primeiro semestre de 2017, e ainda manter um controlo apertado sobre as eventuais fontes dispersoras e multiplicadoras do mosquito causador da epidemia.

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