O secretário de Estado para o Tesouro, Ottoniel dos Santos, apresentou esta manhã o balanço do Plano Anual de Endividamento e apontou que a maior parte destes 65,8 biliões de kwanzas continua a corresponder à dívida externa, que cresceu para os 46,5 biliões Kz. Já a divida interna fixou-se neste primeiro semestre nos 19,3 biliões Kz.

O crescimento da dívida deve-se, sobretudo, às emissões de Eurobonds, segundo Ottoniel dos Santos, que sublinhou que o financiamento está agora menos concentrado no curto prazo, o que melhora o perfil negocial do Estado e visa reduzir as taxas de juro.

Transportes e energia estão entre os sectores que mais têm consumido financiamento.

Ottoniel dos Santos defendeu uma gestão prudente, visto que o peso do serviço da dívida, a exposição cambial elevada e a volatilidade das condições de financiamento internacional continuam a limitar a margem orçamental.

De lembrar que o Fundo Monetário Internacional alertou, em Maio, para o crescimento da dívida pública de Angola, aconselhando o governo a utilizar quaisquer ganhos inesperados com as receitas petrolíferas para reduzir a dívida e criar reservas, uma vez que o declínio da produção de petróleo pesa sobre a sua situação fiscal.

O valor da dívida no primeiro semestre já está acima do previsto no Plano Anual de Endividamento (PAE) publicado no início do ano.

O MINFIN estimava, no PAE, que o stock da dívida governamental de 2026 atingiria aproximadamente os 60, 99 biliões de kwanzas (64,7 mil milhões de dólares), representando um Rácio da Dívida/PIB de 45%.