A decisão do juiz John Hinderaker, do Tribunal do Arizona, é sustentada pela sua convicção de que os direitos constitucionais de Ahmed Soliman, de 31 anos, deportado para a Guiné Equatorial, não foram respeitados durante o processo legal respectivo.

Este cidadão egípcio, que viu ser-lhe recusado o pedido de prolongamento do estatuto de imigrante, após ter sido condenado num processo legal por posse de drogas, foi deportado em Abril deste ano.

Segundo o tribunal do Arizona, a ilegalidade consiste no facto de ter sido ignorado o seu direito a poder escolher o local de destino ao deixar os Estados Unidos, tendo-lhe sido imposto embarcar para Malabo.

A agravar a situação, Ahmed Soliman foi colocado em situação de incontactável num centro de detenção(acolhimento) a 11 de Setembro, violando todos os seus direitos, chocando frontalmente com os Direitos Humanos, como explicou a sua advogada, e depois de ter tornado publica uma declaração onde denuncia as más condições de detenção.

Esta situação está a gerar forte contestação nos corredores da política norte-americana, havendo mesmo congressistas democratas a apelar a alterações profundas na lei anti-imigração de Donald Trump, e Adelita Grijalva, Representante do Arizona no Congresso dos EUA, exigiu que a Casa Branca assegure a sua libertação e regresso a salvo aos EUA.

Existem relatos de que Ahmed Soliman é periodicamente sujeito a tortura, ameaças com armas de fogo e espancamentos, embora as autoridades de Malabo neguem essas acusações.

Até ao momento, segundo a ONG de defesa dos Direitos Humanos Human Rights Watch, até ao momento, desde que Donald Trump regressou ao poder, em Janeiro de 2025, foram deportados em condições semelhantes, e para vários países africanos com acordos para isso com os EUA, 536 pessoas.

A lista de países com acordo para extradição de imigrantes ilegais no continente africano inclui, além da Guiné Equatorial, o Gana, Eswatini, Sudão do Sul, Ruanda, Uganda, Camarões, RDC e a RCA.