Segundo os comerciantes, há quem, por insegurança, deixe o dinheiro das vendas escondido entre os negócios que acabaram de ser consumidos pelas chamas. Entretanto, asseguram que os prejuízos são enormes e estão avaliados em vários milhões de kwanzas.

Aldemar Jorge Sandumbo é um dos vendedores que perderam todo o negócio no incêndio e diz não saber o que será da sua vida de agora em diante, visto que perdeu mais de 26 milhões de kwanzas em mercadoria.

Ao Novo Jornal, vários outros comerciantes asseguram que, nos negócios de madeira e material de construção, as pessoas investem milhões e, com a destruição das bancadas, perderam tudo.

Margarida Silva, Grécia Miranda, Fátima Andrade e Ramos Salvador, todos vendedores no Kikolo, descrevem que também perderam milhões em mercadorias.Estes cidadãos não acreditam que o incêndio tenha deflagrado simplesmente do nada e suspeitam de fogo posto.

Os comerciantes relatam ter perdido todo o stock, sem conseguirem retirar qualquer mercadoria. Apesar da pronta intervenção dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, pouco se conseguiu salvar.

Timóteo Malanga, administrador do mercado, disse ao Novo Jornal que o incêndio afectou a zona número 1 do mercado, destinada à venda e armazenamento de materiais de construção civil, com destaque para peças de madeira.

Segundo o administrador do mercado, alguns comerciantes têm seguro contra incêndio, lamentando que muitos outros não tenham.

A administração diz não assumir a responsabilidade pelos negócios destruídos pelas chamas, deixando essa responsabilidade para os órgãos superiores, mas lamenta as perdas.

Segundo os bombeiros, a natureza dos materiais em combustão, associada à quantidade existente e às condições de armazenamento desordenado, favoreceu o rápido desenvolvimento e propagação das chamas.

As causas do incêndio ainda são desconhecidas e estão a ser investigadas pelas autoridades competentes.

O inspector-chefe bombeiro Octávio de Carvalho, chefe das operações do comando provincial de Luanda do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, contou ao Novo Jornal, no local, que os bombeiros tiveram dificuldades de acesso para conter as chamas, mas conseguiram extinguir o incêndio.

Esta é a segunda vez, em menos de um ano, que este, que é considerado o maior mercado informal de Luanda, volta a ser atingido por um incêndio de grandes dimensões.