O Presidente Pezeshkian viu neste baixar do volume na retórica belicista de Donald Trump uma oportunidade para propor ao norte-americano que também alinhe na ideia de procurar formas "justas e equitativas" de ambos os países se entenderem.
E, para isso, o chefe do Executivo iraniano, instruiou o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, a "procurar negociações justas e equitativas" com os Estados Unidos para encerrar este capítulo que pode, ainda, resultar num desastre regional e mesmo internacional.
Alguns analistas procuram explicações para o recuo de Donald Trump no beco sem saída em que este se colocou depois de ter dito que a única forma de o Irão evitar um ataque dos EUA seria aceitar abdicar do seu programa nuclear, desistir do seu programa de desenvolvimento de misseis balísticos e deixar de apoiar aliados regionais como o Hezbollah, no Líbano.
Isto, porque sabe que o Irão não pode abdicar do seu arsenal de misseis que lhe garante um nível elevado de dissuasão face a inimigos como Israel, e não deixará de manter ligações com os aliados porque se trata da sua soberania em termos regionais.
Mas o pior é a questão nuclear, porque Donald Trump parece ter-se esquecido que, como o próprio disse várias vezes, a infra-estrutura nuclear do Irão foi "totalmente obliterada" no ataque de 22 de Junho de 2025, no fim da guerra dos 12 dias entre Irão e Israel.
Ora, algo que foi "totalmente obliterado", não pode ser abandonado, por já não existir, o que deixou quase todos os analistas convencidos que se tratava de uma porta de escape para Trump sair de um cenário de guerra com o Irão quando começou a perceber que o potencial de resposta de Teerão era superior ao que tinha em consideração.
E, além disso, o Irão, com mudanças de poder no Iraque, de maioria xiita, também, por exemplo, alargou substancialmente a teia de alianças no Médio Oriente, o que deixa os EUA mais vulneráveis face à exposição de proximidade das suas bases regionais e da sua #maravilhosa armada" que enviou para os mares da região. (ver links em baixo)
Perante este cenário, o Irão, que nunca pretendeu entrar em guerra com os EUA, mas que sempre deixou claro que estava pronto para reagir de forma rápida e devastadora, a partir da Presidência, onde Massoud Pezeshkian se apresenta mais moderado que o líder supremo, o aiatola Ali Khamenei, avançou com uma nova frente de combate: a diplomacia.
"Pedi ao meu ministro dos Negócios Estrangeiros que, desde que exista um ambiente adequado, livre de ameaças ou exigências descabidas, conduza negociações justas e equitativas, orientadas pelos princípios da dignidade [e] prudência", declarou Pezeshkian, citado pela Lusa a partir da rede social X.
"Estas negociações serão conduzidas dentro da estrutura dos nossos interesses nacionais", acrescentou o líder do Irão, numa publicação em inglês e em farsi na rede social X.
Pezeshkian disse que a decisão surgiu após "pedidos de governos amigos da região para responder à proposta do Presidente dos Estados Unidos [Donald Trump] para negociações".
Os Estados Unidos ainda não confirmaram que as negociações vão ocorrer, mas Donald Trump tem dito repetidamente nos últimos dois dias que estão a decorrer conversas com o Irão por iniciativa iraniana.
Na segunda-feira, uma agência de notícias semioficial do Irão noticiou - e depois apagou a notícia sem explicações - que Pezeshkian tinha emitido tal ordem a Araghchi, que realizou várias rondas de negociações com Witkoff antes da guerra de 12 dias lançada por Israel contra Teerão em junho.
Araqchi e o enviado especial da Casa Branca para o Médio Oriente, Steve Witkoff, devem reunir-se na sexta-feira em Istambul, para discutir um possível acordo nuclear, avançou o portal de notícias Axios.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Qatar, Egito, Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão também deverão participar na reunião, adiantou uma autoridade norte-americana ao 'site' de notícias, repescada pela Lusa.
Este será o primeiro contacto entre representantes de Washington e Teerão desde que romperam as negociações em junho do ano passado, após o bombardeamento norte-americano de três instalações nucleares iranianas.
Em janeiro, Trump determinou o envio de uma frota da Marinha dos EUA para o golfo Pérsico e ameaçou atacar o Irão caso não se chegue a um acordo para impedir a República Islâmica de desenvolver armas nucleares.
Segundo o Axios, o encontro é o resultado dos esforços de mediação realizados nos últimos dias por diplomatas turcos, egípcios e cataris.
Duas autoridades turcas, que falaram à agência de notícias Associated Press (AP) sob condição de anonimato, disseram que a Turquia está a tentar organizar um encontro entre o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e os líderes iranianos e que este poderia ocorrer já no final da semana.
Um diplomata árabe, que falou à AP sob anonimato, apontou que houve discussões sobre a Turquia acolher uma reunião de alto nível para reunir países árabes e muçulmanos com os Estados Unidos e o Irão.
Washington exige que qualquer futuro acordo nuclear deverá limitar o programa de mísseis do Irão e as actividades das milícias aliadas noutros países da região.
Teerão, no entanto, insiste que as negociações devem centrar-se exclusivamente na questão nuclear.










