E na "guerra" pela anexação da Gronelândia, a gigantesca ilha dinamarquesa no Ártico, "a bem ou a mal", como já avisou o Presidente Donald Trump, os seus aliados europeus preparam um contra-ataque que pode implodir as relações históricas euro-americanas.
Com a situação já claramente controlada e a revolta nas ruas das grandes cidades iranianas, que dominaram as atenções globais nas primeiras duas semanas de Janeiro, esmagada, o regime iraniano volta-se agora contra os seus "organizadores externos".
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, já tinha apontado o dedo acusatório aos EUA e a Israel, mas agora o aiatola Khamenei foi mais longe e diz que os norte-americanos vão ser "responsabilizados pela destruição gerada em todo o país".
Recorde-se que, segundo já explanaram os iranianos, os protestos populares dos primeiros dias de 2026 foram legítimos devido à crise económica e cambial, gerada a partir das sanções ocidentais.
Só que, depois, acusa o Irão, foram agentes da Mossad israelita e da CIA norte-americana que, no terreno, instigaram a violência contra a polícia que levou a um banho de sangue com milhares de mortos entre manifestantes e agentes da polícia.
Segundo as autoridades de Teerão, o que Washington e Telavive refutam, a crise cambial resultou de um ataque externo ao Rial iraniano, que levou a uma perda de 40% em poucos dias, exponenciado pelas sanções, gerando legítimos protestos entre os comerciantes.
E depois, a rede de agentes da Mossad e da CIA, e ainda dos britânicos do MI6, previamente introduzidos no país, alimentaram as chamas da revolta usando armas de fogo contra a polícia, impulsionando a fúria popular artificialmente.
Embora neguem a versão de Teerão, é factual que Mike Pompeo, antigo secretário de Estado e director da CIA na primeira Administração Trump, entre 2017 e 2021, veio admitir que estavam agentes israelitas e norte-americanos no terreno a fazer "um bom trabalho".
Além disso, o Canal 14, que é em Israel um dos media mais próximos do Governo de Benjamin Netanyhau, também avançou que o sucesso inicial dos distúrbios de rua no Irão foram resultado da intelligentsia israelita e norte-americana, que, por norma, a par dos britânicos, estão sempre ligados neste tipo de operações.
"Os EUA estavam há muito a preparar e a orquestrar um golpe de sedição no Irão, com o objectivo de alcançar maiores objectivos (geoestratégicos, envolvendo a China e a Rússia, parece querer dizer), mas foram derrotados pela Nação iraniana", escreveu Ali Khamenei no X.
O mesmo Khamenei que veio, no mesmo suporte mediático, acusar o Presidente Donald Trump de estar "directamente envolvido" nesta operação, o que fica demonstrado ser real quando o norte-americano, estavam os protestos no seu máximo vigor, anunciou que "a ajuda aos manifestantes estava a caminho", querendo propositadamente fazer crer que se tratava de ajuda militar de larga envergadura.
E, de facto, segundo vários media, como The New York Times ou a Reuters, na passada quarta-feira, 14, na recta final dos protestos, um ataque norte-americano ao Irão esteve prestes a acontecer, tendo Trump tirado o dedo do gatilho à última da hora.
Horas depois, recorde-se, o Presidente norte-americano veio justificar ter baixado as armas porque o regime iraniano tinha parado os planos para executar centenas largas de indivíduos detidos e acusados de serem agentes ao serviço dos EUA e de Israel.
Face a este contexto, embora não se saiba bem em que moldes poderá executar a sentença, o aiatola Khamenei escreveu ainda no X que não chega o Irão ter "derrotado os planos de sedição", os EUA, acrescentou, "têm de prestar contas" pelo que fizeram.
No entanto, alguns analistas sublinham que Ali Khamenei pode estar a falar cedo demais, porque se é verdade que Trump tirou o dedo do gatilho, para já, é igualmente verdade que ordenou a deslocação de uma gigantesca Armada, com dois porta-aviões a caminho da região do Golfo Pérsico.
É que um ataque durante a fase mais flamejante dos protestos teria sido tacticamente errado visto que nas semanas antes os EUA deslocaram os meios que ali tinham para outros palcos de conflito, como a Venezuela, para onde foi o USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo.
Que, agora, estará de regresso, a par do USS Abraham Lincoln, que estava no Pacífico, no Mar da China, além de vários cruzadores lança-mísseis e pelo menos dois submarinos nucleares que podem disparar centenas de misseis Tomahawk , constituindo no conjunto uma séria ameaça ao regime iraniano.
Estas movimentações norte-americanas são especialmente relevantes para Israel, cujo primeiro-ministro Benjamin Netanyhau pugna há décadas pelo apoio de Washington para decapitar o regime dos aiatolas.~
E foi isso que Netanyhau procurou quando a 29 de Dezembro último esteve com Trump na sua casa de Mar-a-Lago, na Florida, a ultimar a operação de sublevação popular em Teerão que acabou depois por correr mal.
Mas onde Trump tem a sua atenção efectivamente posta, porque é isso que lhe dará um lugar na História, como tanto almeja, é na anexação da Gronelândia, a gigantesca e rica em recursos naturais ilha que pertence à Dinamarca, embora outros locais no mapa mundi estejam actualmente a ser cobiçados pelo norte-americano (ver foto e links em baixo).
Trump pode ter um lugar na História que nenhum dos seus antecessores desejou
Porém, com este plano de anexação, que já outros Presidentes dos EUA tentaram e falharam, como Harry Truman (em 1946) e Dwight D. Eisenhower, durante a Guerra Fria, e, também, na longínqua década de 1860, William Henry Seward, que era secretário de Estado de Abraham Lincoln, Trump pode conseguir um lugar na História mas por ser o Presidente que levou à implosão da NATO e das relações com a Europa Ocidental.
Porque, segundo fez saber recentemente o Presidente francês, Emmanuel Macron, a União Europeia e a Europa Ocidental, com o Reino Unido, estão a preparar uma resposta histórica contra as pretensões expansionistas dos EUA sobre a Gronelândia, que passa por aplicar sanções pesadas a Washington.
Isto, depois de Donald Trump ter anunciado tarifas, já a 01 de Fevereiro, de 10%, e 25% a partir de Junho, a todos os países europeus que manifestem posições contrárias as intenções de anexar a ilha dinamarquesa.
Numa primeira iniciativa, meramente simbólica, alguns países europeus enviaram, simbolicamente, cerca de duas dezenas de militares para a Gronelândia, enfurecendo claramente Donald Trump, que respondeu com as sanções e que, ao que tudo indica, com sucesso, porque o chanceler alemão, Friedrich Merz, ordenou de imediato o regresso dos seus 10 militares que já estavam na ilha a casa.
Para já, embora Macron já tenha avançado parte da resposta, os líderes europeus marcaram um encontro alargado para definir uma resposta consensual a Trump, e que, ao que tudo indica, se acontecer, levará a uma situação jamais vista desde a II Guerra Mundial pelo menos.~
Os líderes de alguns países, incluindo Reino Unido, França, Dinamarca, Noruega, Alemanha e Holanda, avisaram já que as tarifas de Trump ameaçam perigosamente as relações transatlânticas e podem levar a uma espiral incontrolável de destruição das relações entre a Europa e os EUA.
Em cima da mesa, segundo The Guardian, os europeus têm um plano que implica aplicar tarifas pesadas sobre 93 mil milhões USD de importações dos EUA para o espaço europeu, o mesmo que estava preparado quando no ano passado Donald Trump tinha anunciado pesadas sanções contra a União Europeia.
Perante este cenário, mesmo que Trump não ganhe um lugar de destaque entre os grandes Presidentes norte-americanos, poder á bem ficar para a História como aquele que levou à implosão da NATO e das relações com a Europa Ocidental, que são as vistas como mais sólidas de sempre e fundamentais para alicerçar a hegemonia dos EUA no Planeta nos últimos 80 anos, desde que a II Guerra Mundial terminou, em 1945.











