Com intermitências, os EUA mantiveram uma presença militar mais ou menos dominante no Iraque durante mais de 20 anos, e, agora, no meio de uma escaldante guerra com o Irão, e sob a pressão das milícias xiitas próximas de Teerão, os norte-americanos abandonam este país que ainda recupera das invasões de 1991 e 2003.

Após a invasão de 2003, que acabou com a deposição de Saddam Hussein, o Iraque viveu anos a fio de instabilidade, caos e anarquia, com a emergência do `estado islâmico', dfa al Qaeda, as revoltas curdas, a presença alargada de milícias xiitas pró-iranianas...

E, agora, que o país retoma alguma normalidade, o conflito que EUA e Israel começaram com o Irão, a 28 de Fevereiro, trouxe de novo a oportunidade que os iraquianos há muito perseguiam, que era livrarem-se dos ocupantes norte-americanos, embora nos últimos anos sem a intensidade inicial, onde determinavam os governos e as políticas do Iraque.

O que ficou assente em 2011, quando os EUA fizeram sair do país grande parte, senão mesmo a maioria, das forças, embora tenham voltado a crescer em 2014, no contexto do combate global ao `estado islâmico'.

Constantemente sob pressão política e diplomática para abandonarem o país, tal como sucedeu na Síria, o Pentágono anunciou esta quarta-feira, 30 de Setembro, o fim oficial da missão, de 12 anos, da coligação liderada pelos Estados Unidos contra o grupo `estado islâmico' no país.

O iraque é, a seguir ao Irão, o país com maior presença xiita entre a sua população, perto de 75%, que é popularmente muito próxma de Teerão mesmo que politicamente, essa ligação nem sempre tenha sido a mais pacífica, como o mostra a guerra Irão-Iraque na década de 1980, lançada por Saddam Hussein contra Teerão sob pressão e apoio militar dos EUA e do Reino Unido.

Desde que a coligação israelo-americana lançou a presente guerra contra o Irão, as milícias e a população iraquiana estão na linha da frente do apoio solidário a Teerão...

Entretanto...

... "a retirada ordenada - em contraste com o que sucedeu no Afeganistão - das forças e equipamentos da coligação da Base Aérea de Erbil marca a conclusão bem-sucedida da missão militar que derrotou" o grupo estado islâmico no Iraque, disse o porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, Sean Parnell, citado em comunicado.

O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, anunciou também hoje, citado pela Lusa, e também em comunicado, o fim da coligação internacional anti-Hadistan, liderada pelos Estados Unidos, que deixou o Iraque em 2014.

"Iniciámos uma nova etapa, caracterizada pela sobriedade do Iraque, pela força das nossas instituições, pela preparação dos nossos esforços, pela unidade no conjunto das decisões e por alianças equilibradas com os nossos aliados", afirmou Al-Zaidi durante a cerimónia de despedida das tropas internacionais em Bagdade, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.

A Guerra do Iraque começou a 20 de março de 2003, quando uma coligação liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido invadiu o país com o objetivo de derrubar o regime de Saddam Hussein.

Os Estados Unidos retiraram a maioria das suas tropas em 2011, mas voltaram a enviar apoio contra o Estado Islâmico em 2014, só encerrando mais tarde a presença das últimas bases militares no Iraque.