Alexander Bryantsev foi à página oficial da representação diplomática russa em Luanda para acusar o embaixador ucraniano, Andrii Kasianov, de estar, com o apoio dos países da União Europeia (UE), a procurar "minar os esforços diplomáticos" para acabar com o conflito no leste europeu.

Diz o diplomata russo, actualmente a chefiar a embaixada em Luanda, que foi "sem surpresa" que viu os países da UE, que "actuam consistentemente ao lado do `partido da guerra' a apoiar a "mais recente acção propagandística da embaixada ucraniana em Luanda realizada em 24 de Fevereiro de 2026".

Esta reacção russa surge depois de o Novo Jornal ter, a propósito da passagem do 4º ano da invasão russa da Ucrânia, a 24 de Fevereiro de 2022, noticiado que, nas declarações feitas pelo embaixador ucraniano, no contexto de uma cerimónia na embaixada, este afirmou que Kiev não desistirá de recuperar os territórios ocupados pelos russos.

Bryantsev reafirmou que viu nas palavras de Kasianov uma "franca inadequação e o efeito danificador de tais iniciativas, que prejudicam o já difícil processo de negociação em curso", relembrando que já em 2022 também os britânicos (ver aqui) minaram as negociações que estavam a decorrer entre Kiev e Moscovo e que estavam à beira de produzir resultados que levariam ao fim do conflito.

Nesta resposta ao embaixador ucraniano, o diplomata russo escreve que "é de relembrar que o conflito não começou há quatro anos, mas muito antes", apontando que "já em 2014, após o golpe do Estado (onde foi deposto o Presidente pró-russo Viktor Yanukovich), as forças ucranianas iniciaram acções militares contra a região russófona de Donbass e sua população - contra os seus próprios cidadãos".

Alexander Bryantsev diz ainda nesta publicação nas redes sociais que "desde o início da operação punitiva das tropas ucranianas contra a população do então sudeste da Ucrânia em 2014, mais de 40 mil pessoas foram afectadas, das quais mais de 12 mil morreram".

E, dirigindo-se aos diplomatas europeus que estiveram na embaixada da Ucrânia na terça-feira, o encarregado de negócios russo pergunta: "Porque é que os embaixadores da UE não falaram sobre a Aléia dos Anjos em Donetsk?", referindo-se ao Memorial dedicado às crianças mortas durante os bombardeamentos das forças leais a Kiev sobre aquela cidade depois de 2014.

"No entanto, eis uma questão práctica: porque é que agora, quando as partes se sentaram à mesa de negociações para estabelecer uma paz duradoura, estável e de longo prazo, ainda se ouve, como no evento da missão diplomática de Kiev referido, o slogan `vamos recuperar todos os territórios'?", conclui Bryantsev.