Isto, quando as delegações da Rússia e da Ucrânia voltam a encontrar-se em Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos, nesta quarta-feira, 04, para tentar mais uma vez terminar o mais violento conflito na Europa desde o fim da II Guerra Mundial, em 1945.
Escassas horas antes, em Kiev, o chefe da NATO foi ao Parlamento garantir que assim que houver um acordo de paz, haverá aviões de guerra dos aliados a sobrevoar os céus ucranianos, navios a patrulhar o Mar Negro e soldados da Aliança Atlântica no terreno.
Ora, a NATO é a organização que se tem desdobrado em apoio militar, financeiro e político aos ucranianos nestes quase 4 anos de guerra, mas é também a razão principal para que Moscovo tenha enviado as suas unidades atravessar a fronteira a 24 de Fevereiro de 2022.
E isso, porque o Presidente russo, Vladimir Putin desde 2008 que avisa que a entrada da Ucrânia na NATO seria o início de um conflito de dimensões imprevisíveis por ser uma ameaça existencial para a Rússia na sua fronteira mais exposta aos mísseis desta organização militar liderada pelos Estados Unidos.
Precisamente o que os EUA e os seus aliados europeus estavam a preparar desde que apoiaram e organizaram o golpe de Estado de 2014, em Kiev, para afastar o Presidente pró-russo Viktor Yanukovich e dar o lugar a um Governo amigo dos EUA e da União Europeia, como, de facto, aconteceu.
Ora, perante este contexto, e depois de o Kremlim, de várias formas e feitios, ter avisado que não tolerará a presença de forças militares ocidentais na Ucrânia, seja em que fase do processo de paz for, eis que Mark Rutte atira uma "granada incendiária" para cima da mesa das negociações em Abu Dhabi.
Apesar disso, desta evidente tentativa de boicotar as negociações de paz nos Emiratos (ver links em baixo), que agora recomeçam, nas quais os europeus viram fechar-se-lhes as portas, apesar de muito pedirem para entrar, os russos, ao que tudo indica, decidiram ignorar o "golpe" do holandês.
Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, como se estivesse a adivinhar, na semana passada veio a público insistir que Moscovo veria como alvos legítimos quaisquer forças militares ocidentais que entrem na Ucrânia, independentemente da fase em que o processo negocial se encontre.~
Só que, para Mark Rutte, uma paz negociada entre americanos, russos e ucranianos "não é uma paz duradoura e sólida", como, de resto, também tem repetido a líder da Comissão Europeia, a alemã Ursula von Leyen, se não tiver à mesa os aliados europeus de Kiev.
E, para atrapalhar ainda mais os trabalhos em Abu Dhabi, Rutte acrescentou, perante os deputados ucranianos em Kiev, nesta terça-feira, 03, que os países europeus mais empenhados, França, Alemanha, Reino Unido, já "disseram que vão enviar militares" assim que houver um acordo de paz "com garantias de retaguarda fornecidas pelos EUA".
Os EUA que têm uma delegação de peso nos Emiratos, liderada por Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump, que em nenhum momento, no âmbito das garantias de segurança, que Putin também concorda terem de existir para Kiev, disse, tal como o Presidente norte-americano, que daria esse tipo de garantias de protecção militar às forças europeias que cruzarem as fronteiras ucranianas.
Perante este "filme" dos acontecimentos, alguns analistas já admitem que a única forma de Washington precaver novos atentados às negociações se Mark Rutte for afastado, mas isso não é seguro que seja do interesse dos EUA, que, podendo fazê-lo se assim o entenderem, têm igualmente no holandês um instrumento de pressão sobre Moscovo que pode ser útil em determinados momentos.
Para já, tanto russos como norte-americanos, estão a ignorar estas palavras de Mark Rutte, optando antes por elogiar os progressos feitos na mesa das negociações, com o Presidente Trump, a seguir à primeira ronda, na passada semana, ter mesmo dito em tom optimista que "um resultado positivo pode acontecer a qualquer momento".
E em Moscovo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também num raro tom optimista, disse que nalguns pontos os "avanços são evidentes" apesar de sublinhar também que "muito há para fazer nas questões essenciais", como é o caso dos territórios que Moscovo exige ver reconhecidos e Kiev recusa fazê-lo. (Ver links em baixo).











