O Jazz nasceu do encontro de culturas- a europeia dominante e a africana escravizada-, da resistência e da esperança. Das raízes afro-americanas às grandes salas de concerto internacionais, tornou-se uma linguagem universal que atravessa fronteiras, gerações e estilos. É música que respira liberdade, que transforma cada palco- e estúdio- num espaço de encontro, onde não existem conflitos de gerações, e cada improviso numa conversa sem palavras.
Todos os anos, cidades em todos os continentes organizam concertos, "workshops", "jam sessions [Jazz depois da meia-noite] e iniciativas educativas que aproximam artistas e comunidades. Sob a liderança do lendário pianista e compositor Herbie Hancock, Embaixador da Boa Vontade da UNESCO para o Diálogo Intercultural, a comemoração ganha dimensão global, promovendo valores como inclusão, igualdade de género e intercâmbio cultural.
Do swing ao bebop, do cool Jazz ao Jazz contemporâneo, cada nota conta uma história. Nomes emblemáticos como Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, Miles Davis e Nina Simone ajudaram a moldar um legado que continua vivo nas novas gerações de músicos, que reinventam o género todos os dias.
Comemorar o Dia Internacional do Jazz é celebrar a criatividade como força de transformação social. É reconhecer o poder da música na promoção da paz, do respeito e da colaboração entre povos. É abrir espaço para a improvisação - na arte e na vida.
A iniciativa, importa sublinhar, foi proclamada em 2011 pela UNESCO, na sua Assembleia Geral, em Paris; organismo das Nações Unidas, onde se encontra Angola, com o objetivo de destacar o Jazz como ferramenta de educação, diálogo intercultural, promoção da paz e respeito pelos direitos humanos. Desde então, concertos, workshops, debates e eventos culturais acontecem em várias dezenas de países, reunindo músicos, estudantes e amantes da música.
Angola aderiu à iniciativa em 2014, e todos os anos, ininterruptamente, associa-se à Festa Mundial do Jazz.
O projeto foi impulsionado pelo lendário pianista e compositor Herbie Hancock, embaixador da UNESCO para o diálogo intercultural, que defende o Jazz como uma linguagem universal capaz de aproximar culturas diferentes.
O piano no Jazz é ponte entre ritmo e melodia, entre corpo e pensamento. É nele que o músico constrói mundos possíveis.
Herbie Hancock é herdeiro e visionário dessa linhagem.
Entrou no Jazz pela porta da tradição, mas nunca aceitou viver numa só sala.
Com o trompetista Miles Davis, ajudou a redesenhar o futuro.
Com o funk, a electrónica e o hip hop, abriu janelas onde antes havia muros.
O seu piano tanto pode sussurrar como incendiar.
Herbie Hancock é hoje Embaixador da Boa Vontade da UNESCO para o diálogo intercultural.
E foi ele o grande impulsionador do Dia Internacional do Jazz, celebrado a 30 de abril.
Uma data que afirma o Jazz como linguagem de paz, de escuta e de encontro.
Improvisar não é desordenar - é confiar. É responder ao outro. É criar em conjunto. Improvisar, dizia o pianista e sublime compositor Thelonius Monk é: "dizer a verdade no momento".
No piano de Herbie Hancock, a história do Jazz não termina: continua a escrever-se.
JAZZ: música da liberdade
O Jazz nasceu no início do século XX em New Orleans, na Louisiana, nos Estados Unidos, fruto do encontro entre tradições africanas, europeias e afro-americanas.
Desde as suas origens, tornou-se muito mais do que um estilo musical. O Jazz representou resistência cultural, expressão artística e afirmação de identidade, especialmente entre comunidades afro-americanas.
Grandes nomes ajudaram a moldar essa história, como:
Louis Armstrong, que popularizou o Jazz pelo mundo; Duke Ellington, mestre das big bands. E como compositor genial que foi centra uma parte significativa da sua criação na história e na vida do negro-americano e, especialmente, no Harlem, onde vivera muitos anos, depois de deixar Whashington D.C., onde nasceu.
Ella Fitzgerald, uma das maiores vozes da música; apesar da sua origem musical ser o "swing". O seu canto não se reduz ao "swing". É simplesmente uma das grandes vozes do Jazz clássico/ moderno.
Miles Davis, o "Picasso do Jazz", inovador que reinventou o género diversas vezes, criando estilos e correntes.
Cada geração trouxe novas sonoridades, mantendo vivo o espírito de improvisação que define o Jazz.
Jazz: diálogo entre culturas e plataforma de entendimento entre criadores de distintas latitudes e geografias rítmicas
Uma das características mais marcantes do Jazz é a improvisação, que transforma cada apresentação numa experiência única. Essa liberdade criativa faz do Jazz uma metáfora poderosa para o diálogo entre pessoas e culturas.
Por isso, o Dia Internacional do Jazz não celebra apenas a música, mas também valores como: diversidade cultural, liberdade de expressão, cooperação internacional e criatividade artística.
Em muitas cidades do mundo, músicos de diferentes países sobem ao palco juntos, provando que a música pode ser uma linguagem comum mesmo quando as palavras são diferentes.
30 de abril: uma celebração global
Todos os anos, uma cidade é escolhida como palco principal das comemorações internacionais, recebendo concertos e encontros com artistas de várias partes do planeta.
São Petersburgo, Havana, Abu Dhabi, Cape Town, Rio, Melbourne e Sydney, entre outras cidades, já foram " Cidades Anfitriãs" (Global Host Cities).
Este ano, a cidade anfitriã é Chicago, a famosa "windy city"; a cidade que não se limita a erguer-se - ela insinua-se, como um murmúrio entre o lago Michigan e o ferro. O genial arquitecto Frank Lloyd Wright desenhou espaços únicos, que não aprisionam. Chicago, ainda hoje, é um organismo em febre criativa, como afirmam Robert E. Park e Ernest Burgess, nomes fundamentais da "Escola de Chicago"; onde cada rua guarda um destino e cada bairro é um mundo que se desfaz e renasce; local em que nasceu o Senhor Embaixador /pianista e compositor, Herbert Jeffrey Hancock, a 12 de abril de 1940.
Chicago teve um papel fundamental na evolução do Jazz no início do século XX, nos anos 20.
Após restrições e mudanças sociais em New Orleans, muitos músicos negros migraram para Chicago durante a chamada "Grande Migração".
Chicago tornou-se um novo centro do Jazz, oferecendo mais oportunidades de trabalho em clubes e casas nocturnas. Foi em Chicago que muitos músicos se profissionalizaram a sério; inclusivamente o próprio Armstrong, que se liberta da influência poderosa do cornetista King Oliver, seu mentor, e em 1924 começa a gravar como músico independente.
A cidade ajudou a popularizar o Jazz nacionalmente, especialmente com gravações e rádios.
Foi lá que o estilo começou a evoluir, ficando mais rápido, urbano e improvisado, o chamado "Jazz estilo New Orleans em Chicago", Dixieland.
A música da liberdade
Neste 30 de abril, Angola, e especialmente Luanda, vão voltar a viver a paixão do Jazz. Deixe-se levar pelo ritmo. Descubra novos sons. Apoie artistas locais e músicos convidados. Partilhe música. Porque o Jazz não é apenas para ouvir - é para sentir, viver e celebrar. É, como disse o saxofonista Archie Shepp: "a flor que, apesar de tudo, desabrocha no pantanal".
