Quase sem excepção, a oposição sublinha que a apresentação de dados estatísticos e indicadores económicos em catadupa não refletiram a vida dos angolanos durante os seus mandatos.
Para sustentar esta abordagem ao que João Lourenço disse esta manhã de quinta-feira, 15, é apontado que os índices macroeconómicos (como o crescimento do PIB ou a descida da inflação) não refletem a situação financeira real das famílias.
Consideram ainda que esta forma de falar ao país visa criar a percepção de que quase tudo está bem em Angola mas os dados avançados serviram apenas para fins de propaganda política.
Reagindo o discurso do Presidente da República, o líder da UNITA lamentou a perda de poder de compra e o custo de vida que continua a afectar grande parte da população, com uma parcela significativa a viver com rendimentos limitados ou em situação de pobreza.
De acordo com Adalberto Costa Júnior, o desemprego juvenil em Angola atingiu níveis alarmantes e classificou a actual situação laboral e social do país como sendo de "emergência nacional".
"Foram apresentados números que não têm nada a ver com a real situação do País. O péssimo estado das estradas secundárias e terciárias impedem que a produção agrícola das zonas rurais chegue de forma eficiente aos grandes centros comerciais de consumo. Isto faz com que toneladas de produtos alimentares perecíveis se deteriorem diretamente no campo", apontou como exemplo.
O presidente da UNITA considerou que a luta contra a corrupção foi incompleta, mal direcionada e focada apenas em alvos específicos, sem atingir as estruturas profundas do sistema.
Adalberto Costa Júnior reiterou que as instituições do Estado, incluindo os órgãos judiciais, de segurança e de comunicação social pública, operaram no mandato de JLO de forma parcial e são frequentemente utilizados para fins partidários.
O presidente do PRS, Benedito Daniel que reconheceu alguns avanços durante o mandato de João Lourenço, afirmou que Angola continua a enfrentar graves problemas socioeconómicos e infraestruturais, destacando a pobreza extrema, o desemprego e a precariedade dos serviços básicos.
"Nestes mandatos vimos os trabalhadores angolanos enfrentarem desafios profundos no mercado de trabalho. Embora dados oficiais recentes indiquem uma descida na taxa de desemprego para 21,5%, a realidade no terreno continua marcada pela precariedade, perda do poder de compra e falta de protecção social", referiu, lamentando neste mandato o PR não ter cumprido a promessa de realização das autarquias locais.
O seu homologo do Bloco Democrático, Filomeno Viera Lopes, disse que o descontentamento da população angolana com a governação do Presidente, João Lourenço, foi notória e intensificou-se nos últimos anos, impulsionado por problemas económicos crónicos, promessas eleitorais por cumprir e o desgaste social.
"Temos que reconhecer avanços em alguns sectores, mas alguns dados estatísticos que constam no discurso estão longe da realidade dos angolanos", referiu, sublinhando que a subida galopante dos preços dos bens essenciais e da cesta básica é o principal motivo de contestação.
O presidente do partido Renova Angola, Manuel Fernandes, criticou a governação de JLO e a situação socioeconómica no país, afirmando que os angolanos passaram "da pobreza para a miséria".
"A corrupção, a miséria e o desemprego são problemas estruturais interligados que afectam profundamente a sociedade e a economia de Angola", indicou, destacando a deriva de uma economia excessivamente dependente do sector petrolífero, da fraca redistribuição de rendas, do excesso de burocracia e de desvios de fundos públicos que privilegiam uma pequena elite em detrimento do investimento social.
O antigo presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida, destacou o esforço do Chefe de Estado na modernização e desenvolvimento do país através de investimentos de grande dimensão em múltiplos sectores estratégicos.
O ministro das Relações Exteriores, Tete António, destacou o papel do Presidente da República, João Lourenço, na promoção da política externa e na diversificação das parcerias internacionais de Angola.
Segundo o governante, a diplomacia presidencial tem sido determinante para reforçar a presença de Angola no cenário internacional e abrir novas oportunidades de cooperação com outros países.
O secretário nacional da JMPLA, Justino Capapinha, destacou os investimentos sociais realizados nos sectores da saúde, educação, habitação e infraestruturas, afirmando que as iniciativas têm beneficiado a juventude e a população em geral.
A Vice-Presidente do MPLA, Mara Quiosa, destacou a liderança de João Lourenço, como um factor essencial de estabilidade, coesão interna e especialmente a reconciliação nacional.
