"Na África do Sul, após o fim do apartheid, foi necessário um acordo político amplo que permitisse a transição pacífica para a democracia", começou por expor o presidente da UNITA, frisando que o Government of National Unity e os entendimentos entre forças políticas e sociais criaram condições para eleições verdadeiramente livres em 1994 e para a construção de instituições inclusivas naquele país.
Segundo Adalberto Costa Júnior, o pacto não eliminou divergências, mas estabeleceu regras de convivência que asseguraram paz e credibilidade.
Em Espanha, acrescenta, o político, após a ditadura franquista, o chamado Pacto de Moncloa (1977) reuniu partidos, sindicatos e empresários em torno de medidas económicas e políticas que estabilizaram o país.
"Esse pacto permitiu controlar a inflação, modernizar a economia e abrir caminho para uma democracia consolidada. Foi um exemplo de como forças divergentes podem convergir em torno de objectivos comuns", acrescentou.
Para o presidente da UNITA, na América Latina, países como o Chile e a Colômbia recorreram a pactos de governabilidade em momentos críticos.
"No Chile, após a transição democrática, acordos entre partidos garantiram estabilidade institucional e reformas económicas graduais. Na Colômbia, pactos políticos ajudaram a superar crises institucionais e a assegurar que a alternância de poder ocorresse sem rupturas violentas", referiu.
Estes exemplos, de acordo com Adalberto Costa Júnior, "mostram que pactos de estabilidade não são sinais de fraqueza, mas de maturidade política".
"São instrumentos que permitem que sociedades diversas encontrem pontos comuns para avançar juntas. É essa maturidade que Angola precisa de demonstrar agora", defendeu sublinhando que "é uma prática internacional reconhecida e há modelos que deram frutos e Angola pode aprender com tais experiências bem-sucedidas".
"Aos nossos irmãos e irmãs do Governo queremos dizer com toda a convicção, não tenham medo do futuro. O futuro pode e deve ser melhor do que o passado e melhor do que o presente", apelou, destacando que com uma governação "responsável, transparente e inclusiva", todos os angolanos terão oportunidade de viver com dignidade.

