Após 65 dias passados sobre o transbordo das águas do rio Cavaco, com o Governo Provincial a apontar para 10.146 famílias reintegradas, activistas cívicos consideram que as autoridades "ainda não têm planos traçados para dar resposta às necessidades dos sinistrados".
A posição é expressa pela activista Sara Paulo, membro da organização da manifestação, na sequência de pronunciamentos de um representante do governador de Benguela, nesta quinta-feira, no debate sobre a situação actual.
Num apelo a uma participação massiva, assinala que, se o povo afectado ficar calado e parado, corre o risco de continuar a viver em situação precária, tanto as mais de três mil famílias ainda no Campismo, no Kawango, como os que regressaram já aos bairros de origem.
A manifestação acontece um dia após a consignação das obras para as 720 habitações sociais para os sinistrados, que vão absorver mais de 36 mil milhões de Kwanzas.
No local, o bairro da Graça, estiveram, há quatro dias, alguns cidadãos sem abrigo, que disseram não existir sinais do prometido estaleiro do empreiteiro, a Sinohydro.
A cerimónia, segundo dados oficiais, vai ser presidida pelo ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos, que visita igualmente algumas das obras emergenciais.
Os sinistrados assinalaram o primeiro mês da tragédia com uma barricada que cortou parte do troço Benguela/Lobito, quando centenas de automobilistas se viram obrigados a interromper a marcha.
Desta vez, os protestos começam na rotunda do Cavaco, uma área bastante danificada devido à fúria das águas.
