Na sua maioria trajados com panos e camisolas de diversas paróquias da Igreja Católica e em clima de eufúria, centenas de fiéis gritam cânticos de louvor a Cristo numa demostração de gratidão ao líder católico por visitar Angola.
Cartazes como "Papa peregrino de Cristo abençoa Angola" e tantas outras é o que se pode ler em diversos cartazes exibidos no aeroporto.
Ainda no local estão vários membros do Executivo e do aparelho do Estado igualmente para a despedida ao Papa Leão XIV.
De acordo com a agenda oficial, Leão XIV deve sair de Luanda às 09:15, com destino à Guiné-Equatorial, o último local de visita neste périplo apostólico africano que o levou ainda à Argélia e aos Camarões, numa visita que ficou claramente marcada pelos seus insistentes apelos à paz, críticas contundentes à corrupção e à cobiça, acusações severas aos que roubam aos pobres aquilo que lhes sobra, tendo a esse respeito escolhido a última intervenção falada em Angola, na cidade de Saurimo, Lunda Sul, para deixar a mais eloquente das suas frases: "O pão de todos não se pode transformar na propriedade de apenas alguns".
Mas já na sua primeira intervenção pública em Angola, totalmente em português, Leão XIV tinha sido incisivo quanto ao seu tema de opção e preferência, destacando a necessidade de Angola se defender da lógica extractivista que tanto sofrimento e morte provoca.
E, dirigindo-se aos mais jovens, a maioria gigantesca da população do país, afirmou que podem construir "um projecto de esperança, um país livre de escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias".
O Papa, perante autoridades nacionais, corpo diplomático e organizações da sociedade civil, apontou como caminho levar mais alto a voz dos homens e mulheres de boa vontade que escolhem a paz e a reconciliação ao invés da exploração e da violência.
"Felizes os pacificadores", disse o Papa, que falou a seguir a uma curta intervenção do Presidente João Lourenço, destacando ainda que a maior riqueza de Angola são aqueles que procuram o caminho do bem.
Apontou como um problema as consequências das opções por lógicas extrativistas, o que se enquadra no contexto angolano, onde as matérias-primas são a base da sua economia, criticando, porém, esse caminho pela forma como discrimina e afasta os mais pobres e frágeis do desenvolvimento e do progresso.
Aludiu aos "muitos tesouros" que Angola possui que "não se vendem nem se roubam", referindo-se à alegria, à fé e á solidariedade que os angolanos possuem e que nem as mais adversas circunstâncias a fizeram desaparecer, mas igualmente em contraste com a cobiça que geram os recursos naturais de que o país também é rico.
Referiu mesmo que há muitos que olham para as terras angolanas não para acrescentar mas para tirar.

