As informações foram prestadas à imprensa pela ministra da Saúde (MINSA), Sílvia Lutucuta, na passada sexta-feira, 14, em Cabinda.

"Reconhecemos que o desafio é grande, tendo em conta a vasta fronteira desta província com a nossa vizinha República Democrática do Congo (RDC), que tem um número elevado de casos de mpox e uma fronteira longa e também porosa", acrescentou a titular da pasta do MINSA, citada pela Rádio Nacional de Angola (RNA).

A RDC enfrenta não só um elevado número de casos da varíola dos macacos, mas também uma grave epidemia de Ébola. O país vizinho já registou mais de 2.300 mortos pela doença, sendo considerada a segunda epidemia mais letal de sempre a nível mundial. A variante em circulação é a Budinbugyo, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico aprovado.

Segundo a mesma fonte, Sílvia Lutucuta mostrou-se também preocupada com o surgimento de casos de transmissão local de mpox.

"Verificamos que a maior parte não tem história de viagens, mas também temos aqui algumas situações de alguma promiscuidade sexual e contacto directo das pessoas infectadas", disse.

Nesse sentido, a ministra da Saúde completou que "as condições estão criadas para o tratamento destes doentes" no centro de referência da província e defendeu o reforço do "controlo de temperatura, observação, vigilância" nas fronteiras.

Este alerta estende-se a outras regiões.

No Moxico Leste, no mês passado foram notificados 14 casos da doença, enquanto no Uíge foi identificado o primeiro caso confirmado a 15 de Maio deste ano.

A varíola dos macacos é uma doença infecciosa aguda, de origem viral, sem tratamento específico. Para travar a propagação do surto, as autoridades recomendam a lavagem frequente das mãos com água e sabão, evitar saudações e cumprimentar com contacto físico, bem como evitar aglomerações.

Em 2024, Angola teve de combater um surto de mpox.