A procura por cartões SIM da Africell e da Movicel tornou-se, para muitos clientes, a única alternativa para manter os serviços de comunicação, face às dificuldades provocadas pela indisponibilidade dos serviços da UNITEL, verificou o Novo Jornal.

Na Africell, o preço do cartão SIM, que anteriormente era comercializado no mercado informal entre 200 e 300 kwanzas, consoante a localização, passou para 2.000 kwanzas em várias zonas, embora existam pontos de venda onde o chip é comercializado por 1.500 kwanzas.

Já nas lojas oficiais, como a do Shopping Fortaleza, em Luanda, verifica-se uma grande afluência de clientes à procura dos serviços da operadora.

Nas províncias da Huíla e do Huambo, por exemplo, há pessoas que madrugaram à porta das lojas da Africell para adquirir um cartão SIM.

Nas ruas de Luanda, os vendedores ambulantes de cartões SIM da Africell são agora os mais procurados pelos clientes.

Ao Novo Jornal, vários vendedores contaram que há pessoas a comprar mais de cinco cartões SIM e outras a adquiri-los para toda a família. Garantem ainda que as vendas aumentaram significativamente desde terça-feira.

Face às falhas no sistema da UNITEL, a direcção da Africell assegurou em comunicado que mobilizou equipas técnicas, reforçou as lojas e criou centros de atendimento adicionais para responder ao aumento extraordinário da procura e contribuir para a manutenção da conectividade nas regiões onde opera.

Todavia, esta empresa mostrou igualmente problemas ao lidar com este sucesso repentino anunciando no mesmo comunicado que estavam "suspensos os bónus de chamadas ilimitadas entre clientes Africell" entre 18h00 e as 00h00 de ontem, quarta-feira, 29.

Já a Movicel, operadora que há muito vinha perdendo protagonismo no mercado, voltou a despertar o interesse de muitos clientes. Prova disso é a enchente registada na sua loja central, no Chamavo, onde se observam longas filas para a aquisição de cartões SIM.

Neste operador, um cenário desta dimensão já não era visto há vários anos, devido aos graves problemas financeiros que a Movicel enfrenta.

Importa salientar que a interrupção dos serviços da UNITEL está a ter impacto directo nas operações e nas finanças de empresas de vários sectores, embora alguns serviços já tenham sido normalizados esta quarta-feira.

Falando durante a cerimónia oficial da entrada da UNITEL na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), o presidente do Conselho de Administração da empresa, Aguinaldo Jaime, garantiu que as autoridades já abriram uma investigação por suspeitas de cibercrime na sequência do ataque informático, garantindo total colaboração da operadora com as investigações.