Há ainda memória de que em Angola, até à primeira década de 2000, o principal handicap do sector eléctrico consistia na escassez de água nos reservatórios (albufeiras), o essencial para gerar energia, segundo especialistas ligados a essa área. Essa lacuna não só decorria pela falta de chuvas ou défice na produção, mas também devido à insipiente gestão desse recurso (água).
Devido à sua localização geográfica, o Aproveitamento Hidroeléctrico de Capanda (AHC), situado na província de Malanje, passou a assumir a função reguladora do caudal do rio Kwanza, a par da produção de energia eléctrica.
De lá para cá, ficou relativamente ultrapassado o velho problema das albufeiras, com reflexos positivos para as hidroeléctricas de Laúca e Cambambe, já que também se beneficiam do curso do rio Kwanza, à excepção dos períodos de extrema seca. Para melhor entender o desafio de uma tarefa que se revela crucial no sector eléctrico, o Novo Jornal fez uma incursão àquele que foi o primeiro empreendimento hidroeléctrico edificado no período pós-Independência. Para além desse papel, serve de suporte à irrigação agrícola e à navegação fluvial da região, sustentam especialistas.
Durante o percurso, Carlos Gomes, chefe do Departamento de Análise de Processos e Desligamentos, foi o nosso cicerone. O responsável explica que o Aproveitamento explora 90% da sua capacidade de produção de energia, estimada em 520 megawatts, contribuindo com 15 a 20% de electricidade para a rede nacional. Operacional, mas fora de serviço, está uma turbina de um total de quatro que compõem a infra-estrutura.
Destas turbinas, os grupos 1, 2 e 4 estão interligados com o sistema eléctrico nacional. "A última máquina do grupo 3 pode arrancar a qualquer instante, caso a demanda energética assim o exija", atirou carlos Gomes.
(Leia este artigo na íntegra na edição semanal do Novo Jornal, nas bancas, ou através de assinatura digital, disponível aqui https://leitor.novavaga.co.ao e pagável no Multicaixa)
