Apenas a falta de divisas impede que o desafio lançado pelo Presidente da República, no seu discurso de abertura da campanha agrícola 2017/2018, se materialize. As empresas Nova Agro Líder, TuriAgro, Sagri Bengo e Agro Aliança, que actuam o Perímetro Irrigado de Caxito, estão a apostar fortemente na agricultura.

"Vamos fazer tudo que está ao nosso alcance para não importar alimentos, porque temos capacidade de produzir comida. Temos de ser nós a produzir a comida de que precisamos. E temos também de exportar e angariar divisas com o excedente", pedia João Lourenço em Outubro do ano passado.

Mas, sem divisas, a banana "Angolanita", por exemplo, exportada do Bengo com os padrões de qualidade requeridos pelas exigentes normas do mercado europeu, vai ter dificuldades de atingir os objectivos além-fronteira.

Empregados e empregadores imploram ao Executivo para que interfira junto dos bancos, no sentido de ajudar os proprietários destas unidades de produção a terem acesso a divisas.

"Se em todas as províncias do país tivéssemos empresas do género viradas para o ramo agrícola, a situação alimentar estava parcialmente padronizada", expôs ao novo Jornal Online António Ramos, de 25 anos, que encontrou o seu emprego numa das fazendas integrados no Perímetro Irrigado de Caxito.

Para ele, as fazendas no perímetro vieram auxiliar o Governo a minimizar o problema do emprego.

Por exemplo, a Nova Agro Líder dá trabalho a 700 pessoas e produz mais de 60 mil toneladas de bananas por ano.

O Novo Jornal Online apurou junto da empresa, situada na cidade de Caxito, que estão a ser exportados, semanalmente, quatro contentores de produtos, essencialmente batata doce e "jindungo", para a Europa.

Segundo dados disponibilizados pela empresa, a Nova Agro Líder exporta, semanalmente, dez toneladas de banana, bem como manga, papaia, batata do ce e malaguetas (jindungo) e quiabo, para a Europa, essencialmente para Portugal..

"É um orgulho empresas em Angola começarem já a exportar. Isso vai gerar divisas para o País. A Nova Agro Líder é um exemplo a seguir", observou o economista Tomas Sebastião Simba.

Um agricultor da província do Uíje, que encontrámos na empresa Nova Agro Líder para comprar mangueiras e laranjeiras para a sua quinta naquela província, gostou de ver os produtos agrícolas a serem embalados para exportação.

"Essas mercadorias trazem divisas e geram emprego, o que é muito bom para o país", disse à nossa reportagem Francisco Massuama.

Massuama quer ver a Agro Líder na província do Uíge, salientando que "em pouco tempo a empresa terá sucesso".

"Vamos ter de continuar a fazer um esforço para exportar cada vez mais, de modo a que a actividade gere o crescimento necessário. E parece que, finalmente, estamos no caminho certo", orgulha-se um dos funcionários da Nova Agro Líder que não quis identificar-se.

O funcionário público Ernesto Ventura Panzo, solidariza-se com os empregados e empregadores das empresas do Perímetro Irrigado de Caxito :"São empresas que estão a dignificar a nossa província e não só. O Governo deve prestar-lhes maior atenção, pois estão a ajudar à recuperação da nossa economia".

À conversa junta-se o economista Artur Napoleão Ndaca, que elogiou os esforços da direcção da Nova Agro Líder, que, mesmo com dificuldades, continua a dar o seu contributo para o desenvolvimento do País, dando emprego aos angolanos.

"Se o objectivo é reduzir a importação, o Governo deve urgentemente apoiar estas empresas que directamente estão a participar no desenvolvimento de Angola, sobretudo nesta fase da crise", observou Artur Napoleão Ndaca.

João Domingos Mpilamoxi, que é o responsável do Perímetro Irrigado de Caxito, defende também o apoio à classe empresarial que opera no local, principalmente na aquisição de divisas, que são fundamentais para a importação de meios de produção.

Não obstante haver grandes empresas na área, também existem pequenos agricultores, que actuam numa área de até 15 hectares.

O pedido de ajuda para aquisição de divisas vem também deles.

"Tenho dois hectares, mas preciso de divisas para importar alguns meios agrícolas que o mercado angolano não tem", disse à nossa reportagem a agricultora Sara Neto Paulo José.

Para as autoridades locais, a quantidade de água disponível no perímetro permite um aumento da produtividade da agricultura e, portanto, da segurança alimentar.

Destacando a importância do canal, o agricultor José Esteves Cameia disse que, face aos custos na sua construção, o Governo deveria ajudar as empresas agrícolas a terem acesso a divisas para valorizar o perímetro.

"Temos empresas agrícolas idóneas no perímetro. No entanto, uma ajuda do Executivo no acesso a divisas era uma mais-valia para o bem do país", acrescentou, salientando que o canal é uma grande riqueza para os habitantes da cidade de Caxito.

O Perímetro Irrigado não ajuda só as empresas, ajuda também os pequenos camponeses, que têm as suas pequenas parcelas de terra ao longo da vala.

"O Perímetro é a nossa vida e é ao longo do canal que temos pequenas lavras que sustentam os nossos filhos", contou a nossa reportagem Delfina Almeida, de 46 anos de idade.