E no continente africano, desde o início do século, porque antes só na RCA, em 1975, e no Burundi e no Ruanda, em 1993, apenas em 11 países aconteceu uma mulher assumir o cargo de primeira-ministra, embora outros apareçam no mapa onde mulheres foram Presidentes.
Todavia, em Marrocos, desde que Mohammed VI chegou ao poder, sucedendo ao seu pai, Hassan II, a modernidade tem sido uma aposta clara, desde logo na industrialização do país, que ganhou lastro na indústria automóvel, ou ainda na abertura do país sobre os media, políticas para as mulheres, entre outros temas pouco vistos no mundo árabe.
Perante este contexto, a indicação de Fatima Ezzahra El Mansouri (na foto), uma conhecida advogada de formação que abriu o caminho para outras mulheres na política marroquina ao ser eleita para a câmara de Marraquexe, com apenas 33 anos, em 2009, não surge como uma surpresa.
Até porque foi nomeada por Mohammed VI após a vitória do Partido da Autenticidade e Modernidade (PAM), de centro-direita, nas eleições legislativas de 23 de setembro, obtendo 97 dos 395 lugares no Parlamento.
A tarefa da primeira-ministra nomeada está, todavia, longe de ser fácil, porque ao ser encarregada pelo Rei de formar Governo, está obrigada a uma maratona negocial com vários partidos que permitirá uma coligação sólida para os próximos cinco anos.
Apesar de em Marrocos, o Rei manter uma preponderância governativa importante, as últimas reformas constitucionais permitiram a transferência de poder em vários sectores para o Governo parlamentar, sendo que compete ao monarca definir as grandes orientações políticas do país.
Recorde-se que Fatima Ezzahra El Mansouri foi ainda ministra da Habitação no anterior Executivo, onde sobressaiu pela forma como lidou com este sector de enorme relevância social em Marrocos, tendo iniciado projectos ambiciosos que agora, na condição de primeira-ministra, poderá catapultar...
Mas esse não é o seu maior problema se conseguir formar Governo. O desemprego jovem, a inflação e as desigualdades sociais são elementos abrasivos das últimas duas décadas no país que têm vindo a crescer de forma acelerada nos últimos cinco anos.
Como recorda a Lusa, durante a campanha, o PAM comprometeu-se a alcançar um crescimento médio anual de 5%, manter a inflação nos 2%, de modo a preservar o poder de compra, e criar pelo menos um milhão de empregos durante o mandato.
O Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), partido do chefe do Governo cessante, Aziz Akhannouch, ficou em segundo lugar, com 66 lugares, perdendo cerca de 30 em relação às últimas eleições legislativas, em 2021.
O Partido da Istiqlal, também integrante da coligação cessante, ficou em terceiro lugar, com 65 lugares.
Na oposição, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (PJD, islamista), que fez campanha, nomeadamente, contra a corrupção, quadruplicou a sua representação parlamentar, conquistando 54 lugares, contra os 13 obtidos nas últimas eleições legislativas.
No dia seguinte às eleições, o secretário-geral do partido, Abdelilah Benkirane, afastou a possibilidade de integrar uma coligação governamental.
