"A FNLA é um dos partidos mais antigos da história política angolana e que desempenhou um papel crucial na luta pela Independência. Desde o início do multipartidarismo em Angola, em 1992, tem enfrentado um declínio na sua representação parlamentar e nunca mais conseguiu ultrapassar a marca dos cinco deputados eleitos", comentou ao Novo Jornal o analista político Salvador Junqueira Fabiano.
Em 1999, a FNLA registou a primeira grande cisão interna, levando à divisão do partido em duas alas, sendo uma delas liderada por Lucas Ngonda. A crise motivou um congresso em finais desse ano, quando Lucas Ngonda foi eleito presidente, porém este nunca foi reconhecido pela ala de Holden Roberto. Cinco anos depois, houve uma tentativa de reconciliação numa cerimónia no Palácio dos Congressos, que reconduziu interinamente Holden Roberto à presidência, tendo como vice-presidente Ngola Kabangu.
Os prazos da interinidade, de somente 10 meses, não foram respeitados e a cisão reacendeu-se em 2005. Com a morte de Holden Roberto em 2007, Ngola Kabangu assumiu a liderança. Desde então, a crise interna prolonga-se e tem colocado diferentes sectores em confronto sobre liderança e organização dos congressos.
De acordo com dados da CNE, em 2008, a FNLA caiu para três deputados com 1,11% dos votos. Ngola Kabangu foi derrotado por Lucas Ngonda no congresso de 2010/2011 e contestou judicialmente. Segundo o acórdão do Tribunal Constitucional de 2012, foram julgados nulos o congresso de 2009 e o extraordinário de 2011 da ala Kabangu, tendo sido reestabelecidos os direitos de Lucas Ngonda a 2004.
Durante toda a década de 2010, as alas de Ngonda e de Kabangu disputaram o controlo do partido, com a última a realizar vários congressos nunca reconhecidos pelo Tribunal Constitucional.
Em Agosto de 2021, Lucas Ngonda candidatou-se à reeleição com o secretário-geral Pedro Dala e foi derrotado. Menos de um mês depois, Pedro Dala foi destituído num novo congresso, reflectindo as divisões entre Ngola Kabangu e Lucas Ngonda.
As disputas só terminaram após a eleição de Nimi-a-Nsimbi como presidente em Setembro de 2021. Nas Eleições Gerais de 2022, o partido indicou Nimi-a-Nsimbi como cabeça de lista e conseguiu 2 cadeiras, com 1,05% dos votos.
É com o actual presidente que se repete o ciclo. Conforme declarações públicas da direcção da FNLA, o VI Congresso Ordinário, inicialmente previsto para 23, 24 e 25 de Setembro, foi remarcado para 25, 26 e 27 de Novembro de 2026, alegadamente por dificuldades financeiras enfrentadas pela comissão preparatória.
Este ano, o Comité Central admitiu as candidaturas de Carlitos Roberto, filho do fundador, António Pedro Gomes, Daniel Afonso, Kiaku Kiala Samuel e Sofia Rodrigues Coelho Francisco, enquanto Nimi-a-Nsimbi rejeita a legitimidade de órgãos concorrentes.
Por essa razão, o analista político Damião Santos José Pedro Panzo defende a necessidade de uma reestruturação profunda: "O partido vive um momento de forte fricção devido à liderança de Nimi-a-Nsimbi. Todos os militantes devem trabalhar para a unidade, caso contrário a organização correrá o risco de ser extinta nas próximas eleições".
A decisão de adiamento do congresso é contestada por Ngola Kabangu, que sustenta que só o Comité Central o poderia ter adiado.
