Com mais de 10.500 casos registados e cerca de 5.400 mortos, num mapa de contágios que, desde 15 de Maio, data oficial da detecção dos primeiros casos, embora se suspeite que já em Fevereiro estavam a adoecer pessoas no leste congolês, chegou ao Quénia, Uganda e Nigéria, esta epidemia pode estar a revelar-se diferente das outras.
Não apenas porque a estirpe do vírus, a Bundibugyo, não tem nem vacina nem tratamento conhecidos, ou porque está a preocupar as organizações internacionais de uma forma só comparável com a epidemia de 2013-2015 na África Ocidental, mas porque é aquela onde as questões de aceitação social dos doentes recuperados mais se estão a colocar.
Mesmo depois do sofrimento que a doença provoca em quem é contagiado, como veio agora denunciar a ONG Médicos Sem Fronteiras (OMS), e consegue recuperar, depara-se no regresso à "vida" com a resistência e estigmatização das suas comunidades de origem, com múltiplos casos de exclusão social graves.
Os MSF sugerem numa declaração pública que estão a verificar inúmeros casos de rejeição social nos doentes que acompanham em processos de ressocialização e acompanhamento psicológico, o que retarda muito o regresso à vida normal de muitos destes doentes totalmente curados.
Para ultrapassar este problema, os especialistas aconselham campanhas de sensibilização de forma a deixar claro que se trata de pessoas normais sem quaisquer sintomas da doença ou possibilidades de reinfecção além das que se apresentam a quem nunca tenha contraído a infecção.
Além desta barreira a ultrapassar após a cura são as sequelas emocionais que os especialistas apontam como sendo agora mais evidentes que nas epidemias anteriores porque as pessoas que passaram pelo problema falam agora mais dele, especialmente pelo crescendo de uso das redes sociais, por exemplo.
E com isso foi sendo claro que também neste campo é urgente investir em mecanismos de resposta porque há casos graves de depressão que sem acompanhamento especializado podem evoluir para situações mais complexas e até perigosas.
Isto num contexto social de uma doença que já se apresenta com graves problemas relacionados com a procura de soluções alternativas às unidades de saúde oficiais que vão deste os curandeiros ao isolamento em pequenas comunidades de origem onde p vírus continua a espalhar-se tendo como motorização a ignorância e o crendismo ancestral. (ver links em baixo)









