Está em quase todos os media norte-americanos que a Casa Branca já decidiu que não vai conseguir acabar com o conflito com o Irão até 03 de Novembro, data das eleições intercalares nos EUA, nas quais o Partido Republicano deve, de acordo com as principais sondagens, perder a maioria no Congresso.
Mas agora a aposta é ir "all in" logo a seguir a esse processo eleitoral que ocorre a meio dos mandatos presidenciais e, neste caso, sob o peso das consequências da guerra que EUA e Israel lançaram contra o Irão a 28 de Fevereiro deste ano, especialmente na inflação e o preço historicamente recorde no preço dos combustíveis, que nos EUA contam mais para decidir eleições que o desemprego.
Depois de uma nesga de esperança quando, na semana passada, a delegação iraniana que foi à 81ª Assembleia-Geral da ONU se encontrou com os norte-americanos (ver links em baixo) para repescar eventuais pontos que permitissem voltar a colocar o processo de paz sobre carris. Correu mal.
E agora o Irão diz que não há novas rondas negociais previstas e Trump diz o contrário, que sim, que vai haver novos encontros, para dar nova oportunidade à paz, ao mesmo tempo que diz que tem "as cartas todas", que os iranianos estão "desesperados por um acordo" e que "em breve o regime de Teerão vai cair" sob o peso das sanções e do bloqueio "tremendamente eficaz" aos seus portos.
A afunilar ainda mais o caminho negocial, Washington está a conseguir com sucesso cortar grande parte das rotas das companhias aéreas iranianas sob o peso da ameaça de retirar os aeroportos que as receberem do sistema internacional do dólar norte-americano.
A resposta de Teerão não se fez esperar.
O negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse logo a seguir que o Irão pode atacar infraestruturas no Médio Oriente caso a segurança do Irão não seja garantida referindo-se diretamente ao conflito com Washington.
"Os Estados Unidos e os restantes países devem saber que (...) numa região onde não podemos vender petróleo, mais ninguém o vai vender também. Se a nossa segurança não for garantida, nenhuma infraestrutura vai estar a salvo", declarou Ghalibaf, negociador e presidente do Parlamento iraniano, citado pela Lusa.
As declarações de Ghalibaf foram divulgadas através das redes sociais depois de discussões indiretas que decorreram em Nova Iorque, Estados Unidos, entre emissários norte-americanos e diplomatas iranianos, com a mediação do Qatar.
Entretanto, O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou que espera receber hoje uma resposta oficial dos Estados Unidos às condições estabelecidas por Teerão para a reabertura do Estreito de Ormuz.
No terreno tem-se observado uma acalmia nas últimas semanas: os Estados Unidos não têm realizado ataques contra o Irão desde 01 de setembro, embora os navios sejam frequentemente alvo de ações no Estreito de Ormuz.
Paralelamente, os Estados Unidos intensificaram a guerra económica contra Teerão, impondo sanções a todas as companhias aéreas iranianas e prometendo agir "com firmeza" contra as empresas estrangeiras que lhes prestem assistência.
Com a entrada em vigor das sanções na quarta-feira, as principais companhias aéreas iranianas foram obrigadas a cancelar voos internacionais.
Como, talvez, derradeira possibilidade, antes das eleições de Novembro dos EUA, e de Trump decidir ir com tudo o que tem contra o Irão, militarmente, em Nova Iorque, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, procura aveludar as relações entre os dois países beligerantes.
Guterres não desiste de tentar uma paz negociada
António Guterres apelou aos Estados Unidos e ao Irão a manterem os esforços diplomáticos para alcançar a paz, após uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi na segunda-feira, 28.
Guterres e Araqchi reuniram-se enquanto os EUA e o Irão mantêm negociações indiretas sobre uma proposta iraniana que prevê a reabertura do estreito de Ormuz sete dias após a obtenção de um acordo (ver links em baicxo) apesar de tal cenário ser negado agora pelo Irão.
O Secretário-Geral da ONU e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão "trocaram opiniões sobre o conflito em curso na região", detalhou um porta-voz da ONU.
Guterres "saudou os esforços diplomáticos que têm vindo a ser desenvolvidos durante a semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas e que visavam pôr fim ao conflito", destacou.
Além disso, avança ainda a Lusa, "instou as partes a manterem estes esforços e a resolverem as suas divergências pendentes através de negociações para alcançar a paz", acrescentou o porta-voz.
O encontro aconteceu depois de Guterres se ter reunido, na passada sexta-feira, com o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, a quem instou a resolver o conflito através do diálogo e da negociação, além de respeitar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.
Pouco depois dessa reunião de sexta-feira, Araqchi falou à imprensa em frente ao Conselho de Segurança para detalhar o plano de sete dias que o Irão propôs aos EUA através de mediadores do Qatar.
A proposta, que segundo Araqchi se baseia no memorando de entendimento assinado por ambos os países em junho, prevê a reabertura do estreito de Ormuz e o retomar das conversações sobre o programa nuclear.










